Guerra da Ucrânia mostra que Europa depende demais dos EUA, diz Finlândia

Segundo premiê, continente precisa construir uma indústria de defesa, que inclui a produção de mais armas

A primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin tem enfrentado críticas de políticos da oposição sobre sua ‘postura festeira’. 23/08/2022. Furkan Abdula/Getty Images

A primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin, disse nesta sexta-feira, 2, que a invasão russa à Ucrânia prova que a Europa depende demais dos Estados Unidos para a sua própria segurança. 

Em fala durante encontro do Lowy Institute, think tank em Sydney, na Austrália, a premiê defendeu o aumento das capacidades de defesa do continente, incluindo uma maior produção de armas. 

“Devo ser brutalmente honesta com vocês: a Europa não é forte o suficiente agora. Estaríamos em apuros sem os Estados Unidos”, disse ela, acrescentando que políticos americanos compartilham da mesma opinião. 

Para a líder finlandesa, toda a ajuda financeira e militar fornecida pelo governo americano desde o início do confronto, em 24 de fevereiro, mostra a fraqueza do velho continente. Como parte da solução, ela defendeu a construção de uma “indústria de defesa europeia”. 

O discurso de Marin corrobora o afastamento de seu governo com a chamada neutralidade histórica da Finlândia, em um movimento que se iniciou com a aproximação do país com a Otan, aliança militar do Atlântico Norte. 

Segundo ela, as constantes ameaças do presidente russo, Vladimir Putin, fizeram com que sua nação precisasse se defender de eventuais ataques, principalmente pelo fato de que ambos os países compartilham uma fronteira de mais de 1.300 quilômetros de território.

Em outubro, os principais partidos políticos finlandeses deram apoio à construção de uma cerca ao longo de partes da fronteira com a Rússia, depois de a Noruega, vizinho que também compartilha fronteira com os russos, anunciar a prisão de mais uma pessoa suspeita de utilizar drones para mapear e fotografar áreas ilegais e de instalações de infraestrutura crítica.

Helsinque está cada vez mais preocupada com o aumento no número de travessias ilegais em larga escala, principalmente depois da fuga de milhares de russos quando Putin anunciou uma mobilização parcial para convocar 300.000 reservistas militares para lutar na guerra na Ucrânia.

Há ainda a preocupação de que o Kremlin possa implantar uma migração em massa como uma forma de guerra híbrida, a exemplo do que Belarus foi acusada de fazer no ano passado, quando enviou milhares de imigrantes para os territórios da Polônia, Lituânia e Letônia. 

FONTE: https://veja.abril.com.br/mundo/guerra-da-ucrania-mostra-que-europa-depende-demais-dos-eua-diz-finlandia/

Venezuela assina acordo com Chevron para continuar produzindo petróleo em meio à crise de energia

Caracas chegou a um acordo com a empresa norte-americana Chevron para continuar produzindo petróleo em meio à crise energética que afeta o mundo agravada pelo conflito na Ucrânia.

Sputnik Brasil – Apesar de a Casa Branca manter há anos uma política hostil com o governo venezuelano, no campo petrolífero a relação tem dado sinais de melhora nos últimos meses. A assinatura de novos contratos entre a Venezuela e a Chevron visa aumentar a produção de petróleo no país sul-americano.

“A assinatura desses novos acordos com a Chevron deve ser vista com otimismo. Em primeiro lugar, porque é uma prova irrefutável de que a guerra na Ucrânia mudou a dinâmica energética do mundo e os Estados Unidos tiveram que aliviar as sanções contra a Venezuela para permitir a chegada do petróleo bruto venezuelano às suas refinarias”, disse o deputado do Partido Pátria para Todos (PPT, alinhado à esquerda) da Venezuela, Willian Rodríguez, à Sputnik.

No dia 26 de novembro, os Estados Unidos autorizaram a Chevron a voltar a operar em solo venezuelano após a retomada da mesa de diálogo no México entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição Plataforma Unitária.

“Estamos muito ansiosos para ver como essas coisas vão se desenrolar. Acho que o governo do camarada presidente Nicolás Maduro conquista mais uma vitória, porque bem, são os ‘gringos’ que emitem essa licença, não é a mesa de diálogo, não é qualquer outra instância, mas sim o próprio presidente Biden que tem que engolir suas palavras contra a Venezuela e descobrir como receber petróleo da Venezuela”, disse o legislador venezuelano.

Os novos acordos entre Caracas e a gigante petrolífera dos Estados Unidos visam promover o desenvolvimento das empresas mistas e da produção petrolífera, sempre nos termos estabelecidos na Constituição venezuelana, informou o ministro do Petróleo do país, Tareck El Aissami.

FONTE: https://www.brasil247.com/americalatina/venezuela-assina-acordo-com-chevron-para-continuar-produzindo-petroleo-em-meio-a-crise-de-energia

Guerra na Ucrânia: como Alemanha deixou de depender de gás russo em poucos meses

Quando o presidente da Rússia, Vladimir Putin, fechou as torneiras de gás para a Europa, a Alemanha temeu um inverno atormentado por apagões mais do que qualquer outro país.

Mas as autoridades alemãs foram rápidas em garantir suprimentos alternativos, cientes de que a forte dependência do gás russo havia deixado o motor econômico da Europa consideravelmente exposto.

Hoje, poucos meses depois, as luzes brilham nos mercados de Natal e nota-se um tímido otimismo em meio ao ar temperado com Glühwein (vinho quente).

A estratégia que a Alemanha montou às pressas para sobreviver sem o gás russo parece estar funcionando, pelo menos por enquanto.

“A segurança energética para este inverno está garantida”, disse o chanceler social-democrata Olaf Scholz no Parlamento alemão na quarta-feira (23/11).

Buscando outros fornecedores

As jazidas de gás do país são preenchidas, em parte, por uma frenética — e cara — operação de compra nos mercados mundiais de hidrocarbonetos.

Da mesma forma, na costa varrida pelo vento do Mar do Norte da Alemanha, engenheiros acabam de construir, em tempo recorde, seu primeiro terminal de importação de gás natural liquefeito (GNL).

O GNL é o gás natural resfriado na forma líquida para reduzir seu volume e facilitar seu transporte. E volta a se tornar gás ao chegar a seu destino.

Na Alemanha, esse tipo de projeto costuma levar anos, devido à excessiva burocracia. No entanto, as autoridades eliminaram entraves para que a obra fosse concluída em menos de 200 dias.

A parte mais importante do terminal, uma “unidade flutuante de armazenamento e regaseificação” (FSRU), ainda não foi garantida. O FSRU, que é essencialmente um navio especializado no qual o GNL é convertido de volta ao estado gasoso, será alugado por US$ 207.259 (R$ 1,1 milhão) por dia.

Dentro de algumas semanas, petroleiros de países como Estados Unidos, Noruega ou Emirados Árabes Unidos poderão começar a entregar suas cargas no porto de Wilhelmshaven.

A operadora do terminal, a Uniper, que agora é controlada quase inteiramente pelo governo alemão, se recusou a divulgar seus fornecedores, mas reforçou que os contratos já estão em vigor.

Berlim planeja construir outros 5 terminais de GNL. A maioria deve ser concluída no ano que vem.

Empresário Ernst Buchow admitiu que sua empresa depende do gás, embora espere mudar para um combustível mais verde no futuro – BBC – BBC

Uma corrida contra o tempo

A poderosa indústria alemã prendeu a respiração enquanto o governo executava sua arriscada estratégia.

“Se não temos gás, temos que fechar o forno”, diz Ernst Buchow, dono de uma olaria a meia hora de Wilhelmshaven, à BBC.

Os tijolos que produz devem ser queimados em um forno gigante a temperaturas de até 1.200 graus Celsius. Num futuro próximo, o empresário espera poder mudar para o hidrogênio verde, mas neste momento ainda está totalmente dependente do gás.

“Não é apenas culpa dos políticos. A indústria queria os contratos de gás russos “, acrescenta.

Há apenas um ano, os acordos com Moscou forneciam à Alemanha 60% do gás consumido, grande parte por meio do gasoduto Nordstream.

Apesar da significativa oposição política e cidadã, o governo esperava colocar em operação o controverso Nordstream 2, que teria dobrado a quantidade de gás russo que chegava à Europa via Alemanha. No entanto, a invasão da Ucrânia enterrou esses desejos.

A agência federal de rede de energia diz que hoje a Alemanha administra sem combustível russo.

Em apenas 200 dias, a Alemanha construiu o primeiro de seus seis terminais para processar GNL do Oriente Médio – Getty Images

Mas, para evitar desabastecimento durante o inverno, seus especialistas dizem que os terminais de GNL devem entrar em operação no início do próximo ano e que o consumo de gás deve ser reduzido em 20%.

Chegar até aqui pode ser considerado uma grande conquista nacional, mas não veio de graça.

Outro lado

A Alemanha, um peso pesado da economia mundial, muitas vezes consegue o que quer. Mas seu novo apetite por GNL está intensificando a demanda global.

E isso pode colocar países mais pobres como Bangladesh e Paquistão em uma posição vulnerável.

“Existem muitos países, especialmente economias emergentes, que estão fora do mercado e não podem mais se abastecer com o GNL de que precisam, porque têm menos poder aquisitivo do que a Alemanha”, diz o professor Andreas Goldthau, da Escola Willy Brandt de Relações Públicas na Universidade de Erfurt, na Alemanha.

Goldthau alerta que isso coloca essas nações em maior risco de sofrer apagões ou ter que recorrer a energias “mais sujas”, como o carvão, justamente para evitar esse cenário.

Tensões causadas pela invasão da Ucrânia obrigaram Berlim a cortar dependência energética que havia adquirido nas últimas décadas com a Rússia – BBC

E os planos da Alemanha para completar sua transição para um modelo verde? Afinal, o GNL é um combustível fóssil.

Todos os envolvidos no projeto Wilhelmshaven insistem que o GNL é um combustível de “transição”.

A Uniper prometeu construir uma infraestrutura para lidar com hidrogênio verde junto com o terminal de GNL.

Isso alimentou os planos ambiciosos do conselho municipal de Wilhelmshaven. O prefeito, Carsten Feist, garantiu que o terminal de GNL não trará muitos empregos para a cidade. Mas isso vai acontecer com seus planos de criar um centro de energia verde.

“Grande parte da transformação energética de que precisamos para que nosso planeta tenha um clima habitável em 50 a 100 anos, muito do que é necessário na Alemanha, ocorrerá em e através de Wilhelmshaven”, diz ele.

Custo volumoso

Mas o custo mais impressionante da estratégia de Berlim para cortar sua dependência do gás russo é monetário.

Os seis terminais de GNL obrigaram o governo alemão a gastar cerca de US$ 6,3 bilhões. Isso é mais que o dobro do que os ministros haviam inicialmente orçado e pode aumentar ainda mais no próximo ano.

A Alemanha aprendeu tarde demais o valor de um abastecimento seguro de energia e agora está pagando caro por isso.

 Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63769249

FONTE: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2022/11/28/guerra-na-ucrania-como-alemanha-deixou-de-depender-de-gas-russo-em-poucos-meses.htm

A MARRETA DE PUTIN: A RECUSA DE KIEV EM NEGOCIAR UM ACORDO

Os ucranianos estão em péssimo estado… Não vai demorar muito para que os ucranianos fiquem sem comida. Não vai demorar muito para eles congelarem… Eles fizeram tudo o que podemos razoavelmente esperar que eles façam. É hora de negociar…. antes que a ofensiva comece, porque, uma vez iniciada, não haverá mais discussão entre Moscou e Kiev até que esteja concluída a contento dos russos.>> — Coronel Douglas MacGregor, “Guerra na Ucrânia; Quiet Before the Storm”, marca de 15 minutos (https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=CB9yBkVAfDQ…)

<{A rigor, ainda não começamos nada.>> — Presidente russo Vladimir Putin

Os ataques implacáveis ​​à rede elétrica da Ucrânia, unidades de armazenamento de combustível, centros ferroviários e centros de comando e controle marcam o início de uma segunda e mais letal fase da guerra.

Postado por Matt Ehret em 23.11.2022 https://canadianpatriot.org/…/putins-sledgehammer…/

Escrito por Mike Whitney [originalmente publicado na Global Research em https://www.globalresearch.ca/putins-sledgehammer/5800016]

O ritmo acelerado dos ataques de mísseis de alta precisão e longo alcance sugere que Moscou está preparando o terreno para uma grande ofensiva de inverno que será lançada assim que os 300.000 reservistas da Rússia se juntarem às suas formações no leste da Ucrânia.

A recusa de Kiev em negociar um acordo que aborde as principais preocupações de segurança da Rússia deixou o presidente russo, Vladimir Putin, sem outra opção a não ser derrotar as forças ucranianas no campo de batalha e impor um acordo por meio da força das armas.

A iminente ofensiva de inverno foi projetada para desferir o golpe decisivo de que a Rússia precisa para alcançar seus objetivos estratégicos e encerrar rapidamente a guerra. Isto é da Reuters:

Os ataques com mísseis russos paralisaram quase metade do sistema de energia da Ucrânia, disse o governo na sexta-feira, e as autoridades da capital Kiev alertaram que a cidade pode enfrentar um “desligamento completo” da rede elétrica com a chegada do inverno.

Com as temperaturas caindo e Kiev vendo sua primeira neve, as autoridades estavam trabalhando para restaurar a energia em todo o país após um dos bombardeios mais pesados ​​da infraestrutura civil ucraniana em nove meses de guerra.

As Nações Unidas dizem que a escassez de eletricidade e água na Ucrânia ameaça um desastre humanitário neste inverno.

“Infelizmente, a Rússia continua a realizar ataques com mísseis contra a infraestrutura civil e crítica da Ucrânia. Quase metade do nosso sistema de energia está desativado”, disse o primeiro-ministro Denys Shmyhal.

“Estamos nos preparando para diferentes cenários, incluindo uma paralisação total”, disse Mykola Povoroznyk, vice-chefe da administração da cidade de Kiev, em comentários televisionados.

( “Ucrânia diz que metade de seu sistema de energia foi prejudicado por ataques russos, Kiev pode ser desligada”, diz a Reuters) (https://www.reuters.com/…/ukraine-hails-chinas…/)

Até recentemente, a Rússia evitava alvos que impactariam dramaticamente as atividades civis, mas agora os líderes militares voltaram a uma abordagem mais convencional.

Atualmente, os militares estão destruindo todas as instalações, transformadores, unidades de armazenamento, subestações, pátios ferroviários e depósitos de energia que permitem à Ucrânia continuar a guerra.

Claramente – como o estado maior e mais poderoso – sempre esteve dentro da capacidade da Rússia levar uma marreta à Ucrânia e quebrá-la em um milhão de pedaços, mas Putin optou por segurar a esperança de que Kiev caísse em si e visse a desesperança de sua causa.

E –apesar do dilúvio de propaganda ocidental em contrário– o resultado desta guerra nunca esteve em dúvida.

A Rússia vai impor um acordo sobre Kiev e esse acordo exigirá que o governo corte todos os laços com a OTAN e assine um tratado declarando sua neutralidade para sempre.

A Rússia não vai permitir que uma aliança militar hostil coloque suas bases de mísseis e tropas de combate em seu flanco ocidental . Isso não vai acontecer.

Infelizmente, a operação militar da Rússia vai aumentar muito o sofrimento do povo ucraniano que se encontra preso em uma jaula entre Washington e Moscou. Isto é do World Socialist Web Site:

A pobreza na Ucrânia aumentou mais de dez vezes desde o início da guerra EUA/NATO-Rússia , de acordo com os dados mais recentes do Banco Mundial (BM).

Oficialmente, 25% da população do país agora é pobre, acima dos supostamente apenas 2% antes de fevereiro de 2022… situação que não foi testemunhada no continente europeu desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O desemprego está agora em 35% e os salários caíram até 50% durante a primavera e o verão para algumas categorias de trabalhadores.

(…) de acordo com o Fundo Monetário Internacional, a dívida pública da Ucrânia já subiu para 85% do PIB.

(…) Um estudo conjunto divulgado recentemente pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde da Ucrânia descobriu que 22% das pessoas na Ucrânia não têm acesso a medicamentos essenciais.

Para os 6,9 milhões de deslocados internos do país, esse número sobe para 33%.

(…) Os medicamentos mais difíceis de obter – aqueles que tratam pressão arterial, problemas cardíacos e dores, bem como sedativos e antibióticos – revelam uma população lutando para lidar com décadas de problemas de saúde induzidos pela pobreza e traumas físicos e psicológicos da guerra.

Embora as autoridades dos EUA e da OTAN sejam capazes de despachar grandes quantidades de poder de fogo para as linhas de frente da Ucrânia em questão de semanas, a entrega de produtos humanitários que salvam vidas é aparentemente um desafio logístico impossível”. (“A pobreza dispara na Ucrânia” , World Socialist Web Site)(https://www.wsws.org/en/articles/2022/10/25/gsdz-o25.html).

A guerra por procuração de Washington contra Moscou infligiu um sofrimento incalculável ao povo da Ucrânia, que agora enfrenta temperaturas em queda, suprimentos de alimentos cada vez menores, uma economia em colapso e uma escassez crescente de medicamentos essenciais.

Apesar da bravata estrondosa sobre a recaptura de Kherson, o povo ucraniano agora será forçado a fugir de sua pátria maltratada pelos milhões que buscam refúgio na Europa, que já caiu em uma crise pós-industrial provocada pelas provocações imprudentes do Tio Sam.

Quantos desses ucranianos da classe trabalhadora teriam preferido que seus líderes chegassem a um acordo com Putin (em relação às suas legítimas preocupações de segurança) em vez de envolver o exército russo em uma guerra sem sentido que lhes custou suas casas, seus empregos, suas cidades e (para muitos) suas vidas?

As pessoas fora do país que afirmam “Ficar com a Ucrânia” percebem que na verdade estão apoiando o empobrecimento e a miséria de milhões de civis que estão presos em um fogo cruzado geopolítico entre Washington e a Rússia.

Qualquer pessoa que realmente se preocupe com a Ucrânia deve apoiar a neutralidade ucraniana e o fim da expansão da OTAN. Essa é a única maneira que esta guerra vai acabar.

A segurança russa será alcançada por meio de um tratado ou punho de ferro. A escolha é da Ucrânia. Isto é de um artigo intitulado “A Rússia está certa: os EUA estão travando uma guerra por procuração na Ucrânia”:

<<A guerra na Ucrânia não é apenas um conflito entre Moscou e Kiev, declarou recentemente o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov. É uma “guerra por procuração” na qual a aliança militar mais poderosa do mundo … está usando a Ucrânia como um aríete contra o Estado russo (…) Lavrov não está (…) errado. A Rússia é o alvo de uma das guerras por procuração mais impiedosamente eficazes da história moderna.>> (https://www.washingtonpost.com/…/2c8058a4-d051-11ec…)

O “establishment” da política externa dos EUA não se importa com a Ucrânia ou com o povo ucraniano.

O país é apenas uma plataforma de lançamento para a guerra de Washington contra a Rússia.

É por isso que a CIA derrubou o governo eleito democraticamente em Kiev em 2014 e é por isso que a CIA armou e treinou paramilitares ucranianos para combater os militares russos em 2015 (7 anos antes da invasão!)

A seguir estão alguns antecedentes de um artigo de 2015 no Yahoo Notícia:

<<A CIA está supervisionando um programa secreto de treinamento intensivo nos EUA para as forças de operações especiais ucranianas de elite e outro pessoal de inteligência, de acordo com cinco ex-funcionários de inteligência e segurança nacional familiarizados com a iniciativa. O programa, que começou em 2015, está baseado em uma instalação não revelada no sul dos Estados Unidos, de acordo com algumas dessas autoridades.>>

“Os Estados Unidos estão treinando uma insurgência”, disse um ex-funcionário da CIA, acrescentando que o programa ensinou aos ucranianos como “matar russos”.

(…) a CIA e outras agências dos EUA poderiam apoiar uma insurgência ucraniana, caso a Rússia lançasse uma incursão em larga escala.

(…) “Estamos treinando esses caras há oito anos. Eles são realmente bons lutadores. (…) representantes de ambos os países também acreditam que a Rússia não será capaz de manter o novo território indefinidamente por causa da forte resistência dos insurgentes ucranianos, de acordo com ex-funcionários”.

Se os russos lançarem uma nova invasão, “haverá pessoas que tornarão suas vidas miseráveis”, disse o ex-alto funcionário da inteligência…

“Todas as coisas que aconteceram conosco no Afeganistão”, disse o ex-oficial sênior de inteligência, “eles podem esperar ver isso em abundância com esses caras”. (“Paramilitares ucranianos treinados pela CIA podem assumir papel central se a Rússia invadir” , Yahoo News) (https://news.yahoo.com/cia-trained-ukrainian…)

Lá está em preto e branco. O plano de usar a Ucrânia como palco para conduzir uma guerra por procuração contra a Rússia precedeu a invasão em pelo menos 7 anos.

A administração Obama e seus aliados neocons armaram uma armadilha para a Rússia a fim de arrastá-los para um pântano semelhante ao Afeganistão que esgotaria seus recursos e mataria o maior número possível de soldados russos.

Como o secretário de Defesa Lloyd Austin admitiu recentemente, os EUA querem “enfraquecer” a Rússia para que ela seja incapaz de projetar poder além de suas fronteiras.

Washington busca acesso desimpedido à Ásia Central para poder cercar a China com bases militares e mísseis nucleares.

Os EUA pretendem controlar o crescimento da China enquanto dominam a região mais populosa e próspera do mundo no próximo século, a Ásia.

Primeiro, Washington deve esmagar a Rússia, colapsar sua economia, isolá-la da comunidade global, demonizá-la em sua mídia e derrubar seus líderes.

A Ucrânia é vista como a primeira fase de uma estratégia muito mais ampla voltada para a mudança de regime (em Moscou), seguida pela fragmentação forçada do Estado russo.

O objetivo final é a preservação do papel preeminente de Washington na ordem global.

A ofensiva de inverno de Putin ameaça inviabilizar o plano de Washington de prolongar o conflito o máximo possível.

Nas próximas semanas e meses, a Rússia intensificará seu ataque à infraestrutura crítica da Ucrânia.

A maior parte do país mergulhará na escuridão, os suprimentos de combustível irão secar, comida e água ficarão mais escassas, as comunicações serão cortadas e todo o tráfego ferroviário cessará.

Milhões de civis fugirão para a Europa enquanto o país inteiro lentamente para.

Ao mesmo tempo em que os batalhões russos ultrapassam as cidades e vilas a leste do Dnieper, o exército russo bloqueará as linhas vitais de abastecimento da Polônia, cortando o fluxo de armas letais e tropas de combate que se dirigem para a frente. Isto por sua vez, levará a uma capitulação generalizada entre as unidades de combate ucranianas que operam no campo, o que forçará Zelensky à mesa de negociações.

Eventualmente, a Rússia prevalecerá e suas demandas legítimas de segurança serão atendidas.

Veja como o coronel Douglas MacGregor resumiu em uma entrevista recente:

<<O que está por vir no futuro é uma ofensiva muito massiva. (.. .) o tipo de ofensiva que eu e muitos outros analistas militares esperávamos no início; Operações muito decisivas, múltiplos eixos operacionais projetados para aniquilar efetivamente o inimigo no solo. E é isso que está por vir agora, é isso que está no futuro.>> (Coronel Douglas MacGregor, “War in Ukraine; Quiet Before the Storm”, You Tube) (https://www.youtube.com/watch?app=desktop&v=CB9yBkVAfDQ…)

Quando o solo congelar, a ofensiva da Rússia começará.

ASSISTA TAMBÉM:

1 – https://youtu.be/CB9yBkVAfDQ

2 – https://youtu.be/obi849eRuN4

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Michael Whitney* é um renomado analista geopolítico e social baseado no estado de Washington. Iniciou sua carreira como jornalista-cidadão independente em 2002, comprometido com o jornalismo honesto, a justiça social e a paz mundial.

FONTE

DECISIVO: RÚSSIA DESTRÓI CAPACIDADE DA UCRÂNIA DE MOVER TROPAS E EQUIPAMENTOS PARA LINHA DE FRENTE

O mais poderoso ataque russo desde o início da operação militar especial praticamente anulou a capacidade das Forças Armadas da Ucrânia de mover tropas e equipamentos para a linha de frente. A onda de massivos bombardeios começou na madrugada de terça-feira e terminou ontem com a destruição de centros de comando e logística ucranianos, bem como arrasou o que restava de infraestrutura de energia do país.

Por Daniel Spirin Reynaldo no seu Facebook

FOTO NA CAPA DE 23/11/2022 COM QUASE NENHUMA ILUMINAÇÃO NA UCRANIA X FOTO ACIMA EM 27/01/22 UCRANIA ANTES DE TER SEU SISTEMA ELETRICO BOMBARDEADO

Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, “o objetivo dos ataques foi cumprido. Todos os alvos designados foram atingidos”, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, tenente-general Igor Konashenkov, a repórteres durante seu briefing diário. Ele acrescentou que as ações das aeronaves, navios de guerra e tropas terrestres de seu país “interromperam o envio de reforços ucranianos, armas estrangeiras, equipamento militar e munições para as áreas de combate por via férrea”.

O MdD russo também informou que toda a destruição gerada foi devido aos próprios mísseis de defesa ucranianos que caíram sobre vastas áreas civis.

Mapas de satélite mostram a extensão dos danos ao sistema de energia ucraniano após os ataques de ontem. A primeira imagem a partir de 27 de janeiro de 2022 e a segunda imagem a partir de 23 de novembro de 2022.

FONTE

GUERRA ELÉTRICA Por Pepe Escobar

As atuais táticas russas são o oposto absoluto da teoria militar da força concentrada desenvolvida por Napoleão, escreve Pepe Escobar.

Passos ecoam na memória

Descendo a passagem que não tomamos

Em direção à porta que nunca abrimos Para

o jardim de rosas. Minhas palavras ecoam

Assim, em sua mente.

Mas com que propósito

Perturbar a poeira em uma tigela de folhas de rosa

eu não sei .

TS Eliot, Burnt Norton

Pense no fazendeiro polonês tirando fotos de destroços de um míssil – mais tarde indicado como pertencente a um S-300 ucraniano.

Assim, um fazendeiro polonês, com seus passos ecoando em nossa memória coletiva, pode ter salvado o mundo da Terceira Guerra Mundial – desencadeado por meio de uma trama espalhafatosa arquitetada pela “inteligência” anglo-americana.

Tal espalhafato foi agravado por um acobertamento ridículo: os ucranianos estavam disparando mísseis russos de uma direção que eles não poderiam estar vindo. Ou seja: a Polônia.

Então o secretário de Defesa dos EUA, o vendedor de armas Lloyd “Raytheon” Austin, sentenciou que a Rússia era a culpada de qualquer maneira, porque seus vassalos de Kiev estavam atirando em mísseis russos que não deveriam estar no ar (e não estavam).

Chame isso de o Pentágono elevando a mentira rasteira a uma arte paupérrima.

O objetivo anglo-americano dessa farsa era gerar uma “crise mundial” contra a Rússia. Foi exposto – desta vez. Isso não significa que os suspeitos de sempre não tentarão novamente. E em breve.

Por Pepe Escobar em 23.11.2022

O principal motivo é o pânico. A inteligência coletiva do Ocidente vê como Moscou está finalmente mobilizando seu exército – pronto para atingir o solo no próximo mês – enquanto derruba a infraestrutura de eletricidade da Ucrânia como uma forma de tortura chinesa.

Aqueles dias de envio de apenas 100.000 soldados em fevereiro – e tendo as milícias DPR e LPR mais os comandos de Wagner e os chechenos de Kadyrov fazendo a maior parte do trabalho pesado – já se foram.

No geral, russos e russófonos enfrentavam hordas de militares ucranianos – talvez até 1 milhão.

O “milagre” de tudo isso é que os russos se saíram muito bem.

Todo analista militar conhece a regra básica: uma força de invasão deve ser três vezes maior que a força de defesa.

O Exército Russo no início do SMO estava em uma pequena fração dessa regra.

As Forças Armadas Russas têm, sem dúvida, um exército permanente de 1,3 milhão de soldados. Certamente eles poderiam ter poupado algumas dezenas de milhares a mais do que os 100.000 iniciais. Mas eles não o fizeram. Foi uma decisão política.

Mas agora o SMO acabou: este é o território da CTO (Counter-Terrorist Operation).

Uma sequência de ataques terroristas – visando o Nord Streams, a Crimea Bridge, a Black Sea Fleet – finalmente demonstrou a inevitabilidade de ir além de uma mera “operação militar”.

Isso nos leva à Guerra Elétrica.

PAVIMENTANDO O CAMINHO PARA UMA DMZ

A Guerra Elétrica está sendo tratada essencialmente como uma tática – levando à eventual imposição dos termos da Rússia em um possível armistício (que nem a inteligência anglo-americana nem os vassalos da OTAN desejam).

Mesmo que houvesse um armistício – amplamente divulgado há algumas semanas – isso não acabaria com a guerra. Porque os termos russos mais profundos e tácitos – fim da expansão da OTAN e “indivisibilidade da segurança” – foram totalmente explicados a Washington e Bruxelas em dezembro passado e posteriormente descartados.

Como nada – conceitualmente – mudou desde então, juntamente com o armamento ocidental da Ucrânia atingindo um frenesi, o Stavka da era Putin não pôde deixar de expandir o mandato inicial do SMO, que continua sendo a desnazificação e a desmilitarização. (http://johnhelmer.org/the-stavka-memorandum-russia…/…)

No entanto, agora o mandato terá de abranger Kiev e Lviv.

Isso começa com a atual campanha de deseletrificação – que vai muito além do leste do Dnieper e ao longo da costa do Mar Negro em direção a Odessa.

Isso nos leva à questão-chave do alcance e profundidade da Guerra Elétrica, em termos de criação do que seria uma DMZ – completa terra de ninguém – a oeste do Dnieper para proteger as áreas russas da artilharia da OTAN, HIMARS e ataques de mísseis.

Quão profundo? 100km? Insuficiente. Em vez de 300 km – como Kiev já solicitou artilharia com esse tipo de alcance.

O que é crucial é que, em julho, isso já estava sendo amplamente discutido em Moscou nos níveis mais altos do Stavka. (https://russische-botschaft.ru/…/foreign-minister…/)

Em uma extensa entrevista em julho, o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, deixou o gato – diplomaticamente – sair do saco:

<<Esse processo continua, de forma consistente e persistente.

Isso continuará enquanto o Ocidente, em sua raiva impotente, desesperado para agravar a situação tanto quanto possível, continue a inundar a Ucrânia com mais e mais armas de longo alcance. Pegue o HIMARS.

O ministro da Defesa, Alexey Reznikov, gaba-se de já ter recebido munição de 300 quilômetros.

Isso significa que nossos objetivos geográficos se afastarão ainda mais da linha atual.

Não podemos permitir que a parte da Ucrânia que Vladimir Zelensky, ou quem quer que o substitua, controle e tenha armas que representem uma ameaça direta ao nosso território ou às repúblicas que declararam sua independência e querem determinar seu próprio futuro.>>

As implicações são claras.

Por mais que Washington e a OTAN estejam ainda mais “desesperados para agravar ao máximo a situação” (e isso é o Plano A; não há Plano B), geoeconomicamente os americanos estão intensificando o Novo Grande Jogo (New Great Game): o desespero aqui se aplica ao tentar controlar os corredores de energia e definir o seu preço.

A Rússia permanece imperturbável – enquanto continua a investir no Pipelinistão (em direção à Ásia); solidificar o Corredor Internacional de Transporte Norte-Sul multimodal (INTSC), com os principais parceiros Índia e Irã; e está definindo o preço da energia via OPEP+.

UM PARAÍSO PARA A OLIGARQUIA SAQUEADORA

Os straussianos/neo-cons e neoliberais-cons que permeiam o aparato de inteligência/segurança anglo-americano – vírus armados de fato – não cederão.

Eles simplesmente não podem se dar ao luxo de perder mais uma guerra da OTAN – e ainda por cima contra a “ameaça existencial” da Rússia.

Como as notícias dos campos de batalha da Ucrânia prometem ser ainda mais sombrias sob o general Winter (Inverno), pelo menos uom consolo pode ser encontrado na esfera cultural.

A farsa da transição verde, temperada em uma salada mista tóxica com o ethos eugenista do Vale do Silício, continua sendo acompanhamento oferecido com o prato principal: a “Grande Narrativa” de Davos, antigo Grande Reset, que mostrou sua cara feia, mais uma vez, no G20 em Bali.

Isso se traduz como “estar tudo indo bem no que diz respeito ao projeto Destruição da Europa”.

Desindustrialize-se e seja feliz; dança do arco-íris para cada música acordada pelo mercado; congele e queime madeira enquanto abençoa as energias “renováveis” no altar dos valores europeus.

Um rápido “flashback” para contextualizar onde estamos é sempre útil.

A Ucrânia fez parte da Rússia por quase quatro séculos.

A própria ideia de sua independência foi inventada na Áustria durante a Primeira Guerra Mundial com o propósito de minar o exército russo – e isso certamente aconteceu.

A atual “independência” foi estabelecida para que os oligarcas trotskistas locais pudessem saquear a nação enquanto um governo alinhado com a Rússia estava prestes a se mover contra esses oligarcas.

O golpe de Kiev de 2014 foi essencialmente armado por Zbig “Grand Chessboard” Brzezinski para atrair a Rússia para uma nova guerra partidária – como no Afeganistão – e foi seguido por ordens às fazendas de petróleo do Golfo para derrubar o preço do petróleo.

Moscou teve que proteger os russófonos na Crimeia e no Donbass – e isso levou a mais sanções ocidentais. Tudo foi uma armação.

Por 8 anos, Moscou se recusou a enviar seus exércitos nem mesmo para o Donbass, a leste do Dnieper (historicamente parte da Mãe Rússia).

O motivo: não ficar atolado em outra guerra partidária. O resto da Ucrânia, enquanto isso, estava sendo saqueado por oligarcas apoiados pelo Ocidente e mergulhado em um buraco negro financeiro.

O Ocidente coletivo escolheu deliberadamente não financiar o buraco negro.

A maioria das injeções do FMI foi simplesmente roubada pelos oligarcas e o saque foi transferido para fora do país.

Esses saqueadores oligárquicos eram obviamente “protegidos” pelos suspeitos de sempre.

É sempre crucial lembrar que, entre 1991 e 1999, o equivalente a toda a atual riqueza familiar da Rússia foi roubado e transferido para o exterior, principalmente para Londres.

Agora, os mesmos suspeitos de sempre estão tentando arruinar a Rússia com sanções, já que o “novo Hitler” Putin interrompeu os saques.

A diferença é que o plano de usar a Ucrânia apenas como um peão em seu jogo não está funcionando.

No terreno, o que tem acontecido até agora são principalmente escaramuças e algumas batalhas reais. Mas com Moscou reunindo novas tropas para uma ofensiva de inverno, o exército ucraniano pode acabar completamente derrotado.

A Rússia não parecia tão ruim – considerando a eficácia de seus ataques de artilharia contra posições fortificadas ucranianas e recentes retiradas planejadas ou guerra posicional, mantendo poucas baixas enquanto esmagava o poder de fogo ucraniano.

O Ocidente coletivo aacredita que detém o cartão de guerra por procuração da Ucrânia.

A Rússia aposta na realidade, onde os cartões econômicos são alimentos, energia, recursos, segurança de recursos e uma economia estável.

Enquanto isso, como se a UE do suicídio energético não tivesse que enfrentar uma pirâmide de provações, eles certamente podem esperar que batam à sua porta pelo menos 15 milhões de ucranianos desesperados fugindo de aldeias e cidades sem energia elétrica.

A estação ferroviária em – temporariamente ocupada – Kherson é um exemplo gráfico: as pessoas aparecem constantemente para se aquecer e carregar seus “smartphones”.

A cidade de Kherson não tem energia eletrica, nem calor e nem água.

As atuais táticas russas são o oposto absoluto da teoria militar da força concentrada desenvolvida por Napoleão.

É por isso que a Rússia está acumulando sérias vantagens ao “perturbar a poeira em uma tigela de folhas de rosa”.

E, claro, “ainda nem começamos”.

FONTE

A guerra após nove meses, segundo Chomsky

Breve panorama do conflito na Ucrânia. Após derrotas militares, Moscou evoca poderio nuclear. Europa capitula aos EUA, que usam seu arsenal para dissuadir qualquer resistência. Paz está mais distante; e os falcões da guerra, apreensivos.

A guerra da Rússia na Ucrânia se prolongou por quase nove meses, e agora escala a níveis altamente letais. Putin tem como alvo a infraestrutura de energia da Ucrânia e pôs em pauta repetidamente o fantasma das armas nucleares. Os ucranianos, por outro lado, continuam acreditando que podem derrotar os russos no campo de batalha e até retomar a Crimeia. De fato, a guerra na Ucrânia não tem fim à vista. Como Noam Chomsky aponta nesta entrevista, a escalada do conflito colocou as alternativas diplomáticas ainda mais em segundo plano.

Chomsky é professor emérito do Departamento de Linguística e Filosofia do MIT e professor laureado de linguística e catedrático Agnese Nelms Haury no Programa de Meio Ambiente e Justiça Social da Universidade do Arizona. Um dos estudiosos mais citados do mundo e um intelectual público considerado por milhões de pessoas como um patrimônio nacional e internacional, Chomsky publicou mais de 150 livros em linguística, pensamento político e social, economia política, estudos de mídia, política externa dos EUA. Seus livros mais recentes são The Secrets of Words (com Andrea Moro; MIT Press, 2022); A retirada: Iraque, Líbia, Afeganistão e a fragilidade do poder dos EUA (com Vijay Prashad; The New Press, 2022); e The Precipice: Neoliberalism, the Pandemic and the Urgent Need for Social Change (com C.J. Polychroniou; Haymarket Books, 2021).

C.J. Polychroniou – Noam, a guerra na Ucrânia se aproxima da marca do nono mês e, em vez de um arrefecimento, caminha para uma “escalada sem controle”. Na verdade, está se tornando uma guerra sem fim, já que a Rússia tem alvejado a infraestrutura de energia da Ucrânia nas últimas semanas e intensificado seus ataques na região leste do país, enquanto os ucranianos continuam pedindo mais e mais armas do Ocidente, acreditando que têm a capacidade de derrotar a Rússia no campo de batalha. Como as coisas estão na conjuntura atual, a diplomacia pode acabar com a guerra? De fato, como é possível desescalar uma guerra quando o nível de intensidade é tão alto e os lados em confronto parecem incapazes de chegar a uma decisão sobre as questões sobre as quais eles têm conflito? Por exemplo, a Rússia nunca aceitará reverter as fronteiras para a posição que estavam antes de 24 de fevereiro, quando a invasão foi lançada.

Noam Chomsky – Tragédia anunciada. Vamos fazer uma breve retrospectiva do que discutimos ao longo de meses.

Antes da invasão de Putin, havia alternativas baseadas geralmente nos acordos de Minsk, que poderiam ter evitado o crime. Há um debate não resolvido sobre se a Ucrânia aceitou esses acordos. Pelo menos verbalmente, a Rússia parece ter feito isso até pouco antes da invasão. Os EUA os rejeitaram em favor da integração da Ucrânia ao comando militar da OTAN (ou seja, dos EUA), recusando-se também a levar em consideração quaisquer preocupações de segurança russas, conforme já foi admitido. Esses movimentos foram acelerados sob Biden. Poderia a diplomacia ter conseguido evitar a tragédia? Só havia uma maneira de descobrir: tentar. Essa possibilidade foi ignorada.

Putin rejeitou os esforços do presidente francês Macron, até quase o último minuto, de oferecer uma alternativa viável à agressão. Rejeitou-os no final com desprezo – um tiro no pé de si próprio e da Rússia, pois colocou a Europa no bolso de Washington, o que era seu maior sonho. Ao crime de agressão somava-se o crime de tolice, do seu ponto de vista.

As negociações Ucrânia-Rússia ocorreram sob os auspícios da Turquia em março-abril. Falharam. Os EUA e o Reino Unido se opuseram. Devido à falta de investigação, o que é parte do menosprezo geral da diplomacia nos círculos tradicionais, não sabemos até que ponto essa oposição foi um fator para o colapso das negociações.

Washington inicialmente esperava que a Rússia conquistasse a Ucrânia em poucos dias e estava preparando um governo no exílio. Analistas militares ficaram surpresos com a incompetência militar russa, a notável resistência ucraniana e o fato de a Rússia não ter seguido o esperado modelo de guerra dos EUA e Reino Unido (também o modelo seguido por Israel na indefesa Faixa de Gaza): atacar direto na jugular, usando armas convencionais para destruir comunicações, transporte, energia, o que quer que mantenha a sociedade funcionando.

Com a escalada do conflito, as opções de diplomacia diminuíram. No mínimo, os EUA poderiam retirar sua insistência em sustentar a guerra para enfraquecer a Rússia, barrando assim o caminho para a diplomacia.

Os EUA então tomaram uma decisão fatídica: continuar a guerra para enfraquecer severamente a Rússia, evitando assim as negociações e fazendo uma aposta medonha: que o destino de Putin seria fazer  as malas e escapar da derrota para o esquecimento, se não pior, e que não usaria as armas convencionais que, como todos sabem, ele tinha com capacidade para destruir a Ucrânia.

Se os ucranianos querem arriscar a aposta, isso é problema deles. O papel dos EUA é problema nosso.

Agora Putin avançou para a escalada que fora prevista, “visando a infraestrutura de energia da Ucrânia nas últimas semanas e intensificando seus ataques na região leste do país”. A escalada de Putin igualando-se ao modelo celebrizado pelos EUA-Reino Unido-Israel foi condenada com razão por sua brutalidade – condenada justamente por aqueles que aceitam os “originais” com pouca ou nenhuma objeção, e cuja aposta medonha deu as bases para essa escalada, tal como foi amplamente advertido. Não haverá responsabilização, embora algumas lições possam ter sido aprendidas.

Enquanto os apelos liberais, mesmo muito moderados, para que se considerasse uma saída diplomática dando apoio total à Ucrânia foram imediatamente submetidos a uma torrente de difamação, e muitas vezes apagados com medo, as vozes do mainstream que clamam por diplomacia foram poupadas desse tratamento, incluindo vozes da principal revista do establishment, a Foreign Affairs. Pode ser que as preocupações a respeito de uma guerra destrutiva, com consequências potencialmente cada vez mais sinistras, estejam chegando aos “falcões” neocons que parecem estar conduzindo a política externa de Biden. É o que parecem indicar algumas de suas declarações recentes.

Muito possivelmente eles também estão ouvindo outras vozes. Enquanto as corporações de energia e militares dos EUA estão rindo à toa, olhando as contas no banco, a Europa está sendo duramente castigada pelo corte de suprimentos russos e pelas sanções iniciadas pelos EUA. Isso é particularmente verdadeiro para o complexo industrial alemão que é a base da economia europeia. Permanece uma questão em aberto se os líderes europeus estarão dispostos a monitorar o declínio econômico da Europa e o aumento da subordinação aos EUA, e se suas populações vão tolerar tais consequências da adesão às demandas dos EUA.

O golpe mais dramático para a economia europeia é a perda do gás russo barato, agora parcialmente substituído por suprimentos americanos muito mais caros (aumentando também a poluição em trânsito e na distribuição). Isso, porém, não é tudo. Os suprimentos russos de minerais desempenham um papel essencial na economia industrial da Europa, incluindo os esforços para mudar para energia renovável.

O futuro do abastecimento de gás para a Europa foi prejudicado severamente – talvez permanentemente – com a sabotagem dos gasodutos Nord Stream que ligam a Rússia e a Alemanha através do Mar Báltico. Este é um grande golpe para os dois países. Foi recebido com entusiasmo pelos Estados Unidos, que vinham tentando há anos barrar esse projeto. O secretário de Estado [Antony] Blinken descreveu a destruição dos oleodutos como “uma tremenda oportunidade para remover de uma vez por todas a dependência da energia russa e, assim, tirar das mãos de Vladimir Putin a belicização da energia como meio de avançar em seus desígnios imperiais.”

Os fortes esforços dos EUA para bloquear o Nord Stream precederam em muito a crise na Ucrânia e as atuais narrativas febris sobre os desígnios imperiais de longo prazo de Putin. Eles remontam aos dias em que Bush II olhava nos olhos de Putin e percebia que sua alma era boa.

O presidente Biden informou à Alemanha que se a Rússia invadisse a Ucrânia, “então não haverá mais Nord Stream 2. Vamos colocar um fim nisso”.

Essa sabotagem, um dos eventos mais importantes dos últimos meses, foi rapidamente despachada para a obscuridade. Alemanha, Dinamarca e Suécia conduziram investigações sobre a sabotagem em suas águas próximas, mas mantêm silêncio sobre os resultados. Há um país que certamente tinha capacidade e motivo para destruir os oleodutos. Isso não pode ser mencionado na sociedade polida. Então vamos deixar por isso mesmo.

Ainda há uma oportunidade para o tipo de esforço diplomático que as vozes do establishment estão pedindo? Não podemos ter certeza. Com a escalada do conflito, as opções diplomáticas diminuíram. No mínimo, como mencionado, os EUA poderiam retirar sua insistência em sustentar a guerra para enfraquecer a Rússia. Uma posição mais forte é a das citadas vozes do establishment: pedem que opções diplomáticas sejam exploradas antes que os horrores se tornem ainda piores, não apenas para a Ucrânia, mas muito além.

As autoridades ucranianas afirmam que têm uma estratégia para retomar a Crimeia porque foi anexada ilegalmente por Moscou em 2014. Anúncios semelhantes foram feitos antes mesmo da invasão da Ucrânia pela Rússia. Embora nenhum estrategista militar acredite que a Ucrânia esteja em posição de retomar a Crimeia, isso não seria mais uma evidência de que não há um fim à vista para a guerra Rússia-Ucrânia? Não é esta outra razão pela qual as armas ATACMS de longo alcance que a Ucrânia diz precisar não devem ser entregues a eles?

A administração Biden e o Pentágono tiveram o cuidado de limitar o fluxo maciço de armas àqueles tipos que provavelmente não conduziriam a uma guerra OTAN-Rússia, que seria efetivamente terminal para todos. Se esses assuntos delicados podem ser mantidos sob controle, ninguém pode ter certeza. Mais uma razão para tentar acabar com os horrores o mais rápido possível.

A China alertou a Rússia contra ameaças de usar armas nucleares na guerra contra a Ucrânia. Seria esse um sinal de que Pequim pode estar pensando em se distanciar das aventuras militares de Putin na Ucrânia? Em ambos os casos, indica que há limites para a amizade entre China e Rússia, não é?

Há poucas evidências, que eu saiba, de que a China esteja se distanciando da Rússia. Ao contrário, parece que suas relações estão se estreitando em oposição comum ao entrincheiramento de um mundo unipolar dirigido pelos Estados Unidos, sentimentos compartilhados na maior parte do mundo. A China certamente se opõe ao uso de armas nucleares, assim como qualquer um que ainda tenha um pingo de sanidade. E como quase todo o mundo, quer uma solução rápida para o conflito.

Deveria ser uma grande preocupação o fato de que a conversa sobre a guerra nuclear esteja sendo cogitada casualmente como uma possibilidade a ser considerada.

As conversas sobre armas nucleares têm ocorrido principalmente no Ocidente. A Rússia reiterou a posição universal dos Estados nucleares: que eles podem recorrer a armas nucleares em caso de ameaça à sobrevivência. Essa posição tornou-se mais perigosa quando Putin anexou partes da Ucrânia, estendendo a doutrina universal a um território mais amplo.

Não é bem verdade que a doutrina é universal. Os EUA têm uma posição muito mais extrema, enquadrada antes da invasão da Ucrânia, mas anunciada apenas recentemente: uma nova estratégia nuclear que a Associação de Controle de Armas descreveu como “uma expansão significativa da missão original dessas armas, ou seja, dissuadir ameaças existenciais contra os Estados Unidos.”

A expansão significativa é explicada pelo almirante Charles Richard, chefe do Comando Estratégico dos EUA (STRATCOM). Sob a recém-anunciada Revisão da Postura Nuclear, as armas nucleares fornecem o “espaço de manobra” necessário para os Estados Unidos “projetar estrategicamente o poder militar convencional”. A dissuasão nuclear é, portanto, uma cobertura para operações militares convencionais em todo o mundo, impedindo outros de interferir nas operações militares convencionais dos EUA. As armas nucleares, portanto, “impedem todos os países, o tempo todo” de interferir nas ações dos EUA, continuou o almirante Richard.

Stephen Young, representante sênior de Washington na Union of Concerned Scientists (União de Cientistas Preocupados), descreveu a nova Revisão da Postura Nuclear como “um documento aterrorizante [que] não apenas mantém o mundo em um caminho de risco nuclear crescente, mas aumenta esse risco”, já intoleravelmente alto, “de muitas maneiras”.

Uma avaliação justa.

A imprensa mal noticiou a Revisão da Postura Nuclear, descrevendo-a como não sendo uma grande mudança. Por acaso eles estão certos, mas por razões que evidentemente eles desconhecem. Como o comandante do STRATCOM, Richard, sem dúvida, poderia informá-los, essa tem sido a política dos EUA desde 1995, quando foi elaborada em um documento do STRATCOM intitulado “Fundamentos da Dissuasão Pós-Guerra Fria”. Sob Clinton, as armas nucleares devem estar constantemente disponíveis porque “lançam uma sombra” sobre o uso convencional da força, impedindo outros de interferir. Como disse Daniel Ellsberg, as armas nucleares são usadas constantemente, assim como uma arma é usada em um assalto, mesmo que não seja disparada.

O documento do STRATCOM de 1995 pede ainda que os EUA projetem uma “persona nacional” de “irracionalidade e vingança”, com alguns elementos “fora de controle”. Isso vai assustar aqueles que podem ter pensar em interferir. É a “doutrina do louco”, que foi atribuída a Nixon com base em poucas evidências, mas que agora aparece em um documento oficial.

Tudo isso está dentro da estrutura da doutrina abrangente de Clinton de que os EUA devem estar prontos para recorrer à força multilateralmente se pudermos, unilateralmente se precisarmos, para garantir “acesso livre a mercados-chave, suprimentos de energia e recursos estratégicos”.

É verdade, então, que a nova doutrina não é muito nova, embora os americanos desconheçam os fatos – não por causa da censura. Os documentos são públicos há décadas e citados na literatura crítica, que é mantida à margem.

Deveria ser uma grande preocupação que a conversa sobre a guerra nuclear esteja sendo cogitada casualmente como uma possibilidade a ser considerada. Não é. Definitivamente não é.

FONTE: https://outraspalavras.net/geopoliticaeguerra/a-guerra-apos-nove-meses-segundo-chomsky/

Rússia construirá drones de ataque com ajuda do Irã

De acordo com a avaliação de um país que monitora o programa de armas do Irã, os dois países teriam chegado a um acordo para construir drones que seriam utilizados na guerra contra a Ucrânia.

Drones durante um exercício militar em um local não revelado no Irã, em 24 de agosto.West Asia News Agency/Reuters

O Irã e a Rússia chegaram a um acordo para iniciar a produção de drones de ataque russos, de acordo com uma nova avaliação de inteligência de um país que monitora de perto o programa de armas do Irã.

O Irã está começando a transferir projetos e componentes de drones para a Rússia depois que o acordo inicial foi fechado no início deste mês, disse uma fonte familiarizada com a avaliação.

Autoridades dos Estados Unidos disseram que a Rússia recebeu centenas de drones de Teerã, capital do Irã, que tiveram um efeito mortal na Ucrânia.

No início deste mês, o governo iraniano reconheceu pela primeira vez que havia enviado um número limitado de drones para a Rússia nos meses anteriores ao início da invasão na Ucrânia.

“Alguns países ocidentais acusaram o Irã de ajudar a guerra na Ucrânia ao fornecer drones… nós fornecemos um número limitado de drones à Rússia nos meses que antecederam o início da guerra na Ucrânia”, disse o ministro do Exterior do Irã, Hossein Amir-Abdollahian, para alguns repórteres em Teerã.

O objetivo é que a Rússia produza milhares de novos drones de ataque usando componentes e projetos iranianos, explicou a fonte. Se os dois países seguirem a todo vapor com seu plano, a expectativa é que a produção comece em alguns meses e seja possível que os drones possam ser usados ​​pela Rússia no campo de batalha contra a Ucrânia no ano que vem, disse a fonte.

Seria um movimento que consolidaria ainda mais a parceria entre Teerã e Moscou e provavelmente provocaria uma raiva significativa da Ucrânia e de seus aliados ocidentais, incluindo os EUA.

O Washington Post noticiou pela primeira vez o acordo.

Os esforços vêm depois que a CNN e outros meios de comunicação informaram que o Irã estava se preparando para enviar mais armas, incluindo mísseis balísticos de curto alcance e mais drones de ataque para a Rússia antes do final do ano.

A fonte familiarizada com a avaliação disse que esses relatórios causaram preocupação no Irã, o que parece ter levado o regime a repensar sua abordagem, com o plano dos drones serem fabricados pela Rússia, em vez do Irã transferi-los diretamente.

O processo de produção dos drones de ataque não é complicado quando comparado com a produção de outras armas, explicou a fonte.

Um porta-voz da Missão Iraniana na Organização das Nações Unidas (ONU) não negou explicitamente a sugestão de que o Irã ajudará a Rússia a fabricar drones, mas afirmou que o Irã cumpre os princípios de “soberania, independência, unidade e integridade territorial”.

Em comunicado à CNN, o porta-voz disse que o Irã e a Rússia “mantêm cooperação bilateral em defesa, ciência e pesquisa” há anos, antes da guerra da Rússia na Ucrânia.

O porta-voz observou que partes de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que restringia certas transferências de armas para ou do Irã expiraram em outubro de 2020, então “a República Islâmica do Irã priorizou o aumento da cooperação de defesa com outros países”, disse o porta-voz.

Várias nações, incluindo os Estados Unidos, disseram que o fornecimento de drones pelo Irã à Rússia é uma violação dessa resolução, e os ministros das Relações Exteriores do G7 disseram em declaração conjunta que “apoiam os esforços das Nações Unidas para responsabilizar a Rússia e o Irã por seus flagrantes violações da resolução”.

A CNN pediu comentários à embaixada russa em Washington.

Quando solicitada a comentar a avaliação, a porta-voz do conselho de segurança nacional da Casa Branca, Adrienne Watson, disse: “O Irã e a Rússia podem mentir para o mundo, mas não podem esconder os fatos: Teerã está ajudando a matar civis ucranianos através do fornecimento de armas e assistência à Rússia em suas operações. É outro sinal de quão isolados estão o Irã e a Rússia”.

“Os Estados Unidos – com aliados e parceiros – estão buscando todos os meios para expor, deter e confrontar o fornecimento dessas munições pelo Irã e o uso delas pela Rússia contra o povo ucraniano. Continuaremos a fornecer à Ucrânia a assistência crítica de segurança necessária para se defender, incluindo sistemas de defesa aérea”, disse Watson no comunicado.

Os drones têm desempenhado um papel significativo no conflito desde que a Rússia a invasão em grande escala da Ucrânia no final de fevereiro, mas seu uso aumentou há alguns meses, quando os Estados Unidos e Kiev dizem que Moscou adquiriu drones do Irã. Nas últimas semanas, esses drones iranianos foram usados ​​para atingir a infraestrutura energética crítica na Ucrânia.

Os drones iranianos são conhecidos como “munições de demora” porque são capazes de circular por algum tempo em uma área identificada como alvo em potencial e só atacar quando um alvo inimigo é identificado.

Eles são pequenos, portáteis e podem ser lançados facilmente, mas sua principal vantagem é que são difíceis de detectar e podem ser disparados à distância.

FONTE: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/russia-construira-drones-de-ataque-com-ajuda-do-ira/

Comunidade internacional renova apoio à Moldávia, afetada pela guerra na Ucrânia

A comunidade internacional anunciou, nesta segunda-feira (21), novas ajudas para a Moldávia, que enfrenta as consequências da invasão a Ucrânia e garante lutar contra as tentativas russas de desestabilização política.

A “plataforma internacional de apoio à Moldávia”, lançada sob iniciativa da Alemanha, França e Romênia, se reuniu pela terceira vez em Paris, em um contexto de redução do fornecimento de gás a esta pequena nação fronteiriça com a Ucrânia. O país é candidato à adesão à União Europeia.

Esta antiga república soviética de 2,6 milhões de habitantes sofre as consequências da guerra, que são traduzidas em pressão migratória – com cerca de 80.000 refugiados ucranianos em seu território – e em uma crise energética.

A companhia russa Gazprom reduziu pela metade as exportações de gás para o país.

“A Rússia cortou uma grande parte do gás que entregava regularmente para a Moldávia e, por outro lado, as exportações de eletricidade da Ucrânia já não são possíveis devido aos bombardeios contra as infraestruturas ucranianas”, disse a ministra das Relações Exteriores da França, Catherine Colonna.

A Moldávia não tem capacidade de armazenamento de gás e o governo implementou reformas para se conectar à rede elétrica europeia, como uma forma de enfrentar a crise.

A presidente Maia Sandu, pró-Europa, acusa a Rússia de financiar manifestações antigovernamentais. É uma “guerra híbrida”, garantiu.

A Moldávia também conta com a presença de soldados russos na região separatista pró-Rússia da Transnístria, na fronteira com a Ucrânia.

Cerca de 50 delegações internacionais participaram da conferência desta segunda-feira, entre eles representantes da UE, Estados Unidos, Canadá, Japão, o FMI e o Banco Mundial.

FONTE: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2022/11/21/comunidade-internacional-renova-apoio-a-moldavia-afetada-pela-guerra-na-ucrania.htm

Rússia e China usam moedas nacionais no comércio de gás, diz oficial russo

Vice-primeiro-ministro Alexander Novak anunciou que a Rússia e a China assinarão um acordo de fornecimento de gás à China através da rota do Extremo Oriente.

A Rússia e a China já adotam suas moedas nacionais no comércio de recursos energéticos, disse o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, em entrevista ao canal de televisão Rossiya-24.

“Estamos mudando para pagamentos em moedas nacionais –em rublos e iuanes– para recursos energéticos fornecidos, para acordos mútuos realizados em particular para o fornecimento de equipamentos da China”, disse Novak, observando que a China já paga pelo gás natural russo em base de paridade em rublos e iuanes e que pagamentos pelos suprimentos de petróleo e derivados estão sendo proativamente alterados para essas moedas.

Em razão da chamada ‘operação militar especial’ na Ucrânia, o Ocidente aplicou sanções abrangentes contra a Rússia. O país foi excluído do sistema financeiro internacional, o que dificultou transações envolvendo dólares estadunidenses e euros. Desde então, Moscou vem buscando deixar de usar essas moedas em transações comerciais.

Em setembro deste ano, as estatais Gazprom, da Rússia, e China National Petroleum Corporation (CNPC), da China, assinaram uma série de acordos, incluindo um referente ao uso de rublos e iuanes para os pagamentos de suprimentos de gás natural russo à China.

As sanções foram rebatidas por Moscou com cortes drásticos nos suprimentos de gás natural russo à Europa, gerando forte inflação no continente. Com isso, a Rússia voltou-se para a Ásia, em especial China e Índia, vendendo gás e petróleo com descontos a esses países –e aproveitando-se da alta global nos preços de energia.

Segundo Novak, em termos monetários, o volume de negócios no setor de energia entre a Rússia e a China cresceu 64%. Em termos materiais, aumentou 10%, considerando suprimentos de petróleo, gás, carvão e eletricidade, acrescentou o oficial.

O vice-premiê anunciou que os dois países assinarão um acordo de fornecimento de gás à China através da rota do Extremo Oriente. Além disso, disse o funcionário do governo, continuam as conversações sobre a implementação do gasoduto Power of Siberia 2.

“Este gás fluirá pelo território da Mongólia até a China. Este é um novo projeto de grande escala com capacidade para (transportar) até 50 bilhões de metros cúbicos de gás”, disse ele.

Edição de Leonardo Sobreira, em Moscou, Rússia.

FONTE

https://www.brasil247.com/mundo/russia-e-china-usam-moedas-nacionais-no-comercio-de-gas-diz-oficial-russo

Rússia, Índia, China, Irã: uma aliança que realmente importa

O Sudeste Asiático está durante uma semana inteira no centro das relações internacionais, nomeadamente três cimeiras consecutivas: a cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN ou ASEAN) em Phnom Penh, a cimeira do Grupo dos Vinte (G20) em Bali e a Ásia – Cimeira da Cooperação Económica do Pacífico (APEC) em Banguecoque.

Dezoito nações que representam cerca de metade da economia global estão representadas na primeira cúpula da ASEAN desde a pandemia de Covid-19 no Camboja: os 10 países membros da ASEAN, Japão, Coreia do Sul, China, Índia, Estados Unidos, Rússia, Austrália e Nova Zelândia.

Com a polidez típica asiática, o presidente da cúpula, o primeiro-ministro cambojano Hun Sen (ou “colombiano”, como se autodenomina “líder do mundo livre”), disse que a reunião plenária foi um tanto tempestuosa, mas que o clima não era tenso : “Os líderes falaram com maturidade, ninguém saiu. »

Por Pepe Escobar

Coube ao ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, expressar o que realmente foi significativo ao final da cúpula. Ao elogiar a “estrutura inclusiva, aberta e igualitária de segurança e cooperação dentro da ASEAN”, Lavrov destacou como a Europa e a OTAN “querem militarizar a região para conter os interesses da Rússia e da China no Indo-Pacífico”.

Uma manifestação dessa política é como “AUKUS visa abertamente o confronto no Mar da China Meridional”, disse ele.

Lavrov também apontou como o Ocidente, por meio da aliança militar da OTAN, aceita a ASEAN “apenas nominalmente” enquanto promove uma agenda completamente “confusa”.

O que está claro, no entanto, é como a OTAN “se deslocou para as fronteiras russas em várias ocasiões e agora declarou na cúpula de Madri que assumiu a responsabilidade global”.

Isso nos leva a esta conclusão: “A OTAN está movendo sua linha de defesa para o Mar da China Meridional”. E, acrescentou Lavrov, Pequim tem a mesma avaliação.

Aqui, concisamente, está o “segredo” aberto de nossa atual incandescência geopolítica. A prioridade número um de Washington é a contenção da China. Isso envolve impedir que a UE se aproxime dos principais motores eurasianos – China, Rússia e Irã – engajados na construção do maior ambiente de livre comércio/conectividade do mundo. Somando-se à guerra híbrida de décadas contra o Irã, a militarização sem fim do buraco negro ucraniano faz parte dos estágios iniciais da batalha.

Para o Império, o Irã não pode lucrar ao se tornar um fornecedor de energia barata e de qualidade para a UE. E, ao mesmo tempo, a Rússia deve ser cortada da UE. O próximo passo é forçar a UE a se isolar da China.

Tudo isso se encaixa nos sonhos mais loucos e distorcidos de Strauss/neocon: para atacar a China, encorajando Taiwan, é preciso primeiro enfraquecer a Rússia, por meio da instrumentalização (e destruição) da ‘Ucrânia’.

E ao longo da história, a Europa simplesmente não tem uma agência.

Putin, Raisi e a pista de Erdogan

A vida real nos principais nós da Eurásia revela uma imagem completamente diferente. Veja o encontro descontraído em Teerã entre o alto oficial de segurança russo Nikolai Patrushev e seu homólogo iraniano Ali Shamkhani na semana passada. Eles discutiram não apenas questões de segurança, mas também negócios sérios – como no comércio turbinado.

A National Iranian Oil Company (NIOC) assinará um acordo de US$ 40 bilhões com a Gazprom no próximo mês, ignorando as sanções dos EUA e abrangendo o desenvolvimento de dois campos de gás e seis campos de petróleo, comércio de gás natural e produtos petrolíferos, projetos de GNL e construção de gás oleodutos.

Imediatamente após a reunião Patrushev-Shamkhani, o presidente Putin pediu ao presidente Ebrahim Raisi que mantenha “a interação na política, comércio e economia, incluindo transporte e logística”, segundo o Kremlin.

O presidente iraniano teria mais do que “recebido” o “fortalecimento” dos laços Moscou-Teerã.

Patrushev apoiou inequivocamente Teerã na mais recente aventura de “revoluções coloridas” perpetrada como parte da interminável Guerra Híbrida do Império.

O Irã e a União Econômica da Eurásia (EAEU ou EEU) estão negociando um acordo de livre comércio (FTA) juntamente com acordos de troca de petróleo russos. Em breve, o SWIFT poderá ser completamente contornado. O “Sul Global” está assistindo.

Simultaneamente ao telefonema de Putin, Recep Tayyip Erdogan – liderando sua própria campanha diplomática e acabando de voltar de uma cúpula das nações turcas em Samarcanda – enfatizou que os Estados Unidos e a Frente Ocidental estavam atacando a Rússia “quase sem limites”. Erdogan deixou claro que a Rússia é um estado “poderoso” e elogiou sua “grande resistência”.

A resposta veio exatamente 24 horas depois. A inteligência turca foi direto ao ponto, apontando que o ataque terrorista na rua de pedestres sempre movimentada de Istiklal, em Istambul, foi planejado em Kobane, norte da Síria, que é principalmente uma resposta dos EUA.

Isso constitui um ato de guerra de fato e pode levar a sérias consequências, incluindo uma revisão profunda da presença da Turquia na OTAN.

A Estratégia Multidimensional do Irã

Uma aliança estratégica russo-iraniana está se manifestando praticamente como uma inevitabilidade histórica. Relembra a época em que a ex-URSS ajudou militarmente o Irã por meio da Coreia do Norte, após um bloqueio imposto pelos Estados Unidos e pela Europa. Poutine e Raisi vão para o próximo nível. Eles desenvolvem uma estratégia comum para superar a militarização das sanções pela Frente Ocidental.

Afinal, o Irã tem um histórico absolutamente estelar de esmagar variantes de “pressão máxima” em pedaços. Além disso, agora está vinculado a um guarda-chuva nuclear estratégico oferecido pelos “RICs” dos BRICS (Rússia, Índia, China).

Assim, Teerã poderia agora considerar o desenvolvimento de seu enorme potencial econômico dentro da estrutura da BRI, da SCO, do INSTC, da União Econômica da Eurásia (EAEU) e da Parceria da Grande Eurásia liderada pela Rússia.

O jogo de Moscou é de pura sofisticação: engajar-se em uma aliança estratégica de petróleo de alto nível com a Arábia Saudita, enquanto aprofunda sua parceria estratégica com o Irã.

Imediatamente após a visita de Patrushev, Teerã anunciou o desenvolvimento de um míssil balístico hipersônico construído localmente, bastante semelhante ao russo KH-47 M2 Khinzal.

E a outra notícia importante diz respeito à conectividade: a conclusão de parte da ferrovia ligando o estratégico porto de Chabahar à fronteira com o Turcomenistão. Isso significa conectividade ferroviária direta iminente com as esferas da Ásia Central, Rússia e China.

Adicione a isso o papel predominante da OPEP+, o desenvolvimento do BRICS+ e a dinâmica pan-eurasiana de precificação comercial, seguros, segurança, investimentos em rublo, yuan, rial, etc.

Há também o fato de que Teerã não se importa menos com a interminável procrastinação coletiva do Ocidente sobre o Plano de Ação Conjunto Abrangente (JCPOA), comumente conhecido como acordo nuclear com o Irã: o que realmente importa agora, c é o aprofundamento das relações com os “RICs” nos BRICS.

Teerã se recusou a assinar um projeto de acordo nuclear falsificado com a UE em Viena. Bruxelas ficou furiosa; nenhum petróleo iraniano “salvará” a Europa, substituindo o petróleo russo sob um limite insano a ser imposto no próximo mês.

E Washington ficou furioso porque apostava nas tensões internas para dividir a OPEP.

Dado tudo o que foi dito acima, não é de admirar que o “Think Tankland” da América se comporte como um bando de galinhas sem cabeça.

A fila para entrar no BRICS

Na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) em Samarcanda em setembro passado, já não era dito por todos os envolvidos como o Império está canibalizando seus aliados mais próximos. E como, simultaneamente, a esfera encolhida da OTAN se fecha em si mesma, enfatizando o inimigo interno, exortando incansavelmente os cidadãos comuns a marchar com total respeito por uma guerra de mão dupla – híbrida ou não – contra concorrentes imperiais Rússia e China.

Compare-se agora com o presidente chinês Xi Jinping em Samarcanda apresentando a China e a Rússia, juntas, como as principais “potências mundiais responsáveis” determinadas a garantir o surgimento da multipolaridade.

Samarkand também reafirmou a parceria política estratégica entre a Rússia e a Índia (o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, chamou-a de amizade inquebrável).

Isso foi corroborado pelo encontro entre Lavrov e seu homólogo indiano Subrahmanyam Jaishankar na semana passada em Moscou.

Lavrov elogiou a parceria estratégica em todas as áreas cruciais – política, comércio e economia, investimento e tecnologia, bem como “ações estreitamente coordenadas” no Conselho de Segurança da ONU, BRICS, SCO e G20.

Sobre os BRICS, Lavrov confirmou que “mais de uma dezena de países” estão se preparando para a adesão, incluindo o Irã: “Esperamos que o trabalho de coordenação dos critérios e princípios que devem subestimar a expansão dos BRICS não leve muito tempo . »

Mas primeiro, os cinco membros devem analisar as implicações revolucionárias de um BRICS+ expandido.

Novamente: contraste. Qual é a “resposta” da UE a estes desenvolvimentos? Propor um novo pacote de sanções contra o Irã, visando funcionários e entidades “ligadas aos assuntos de segurança”, bem como empresas, por sua suposta “violência e repressão”. A “diplomacia” de estilo ocidental faz parte de uma política de intimidação.

De volta à economia real – como na frente do gás – os interesses nacionais da Rússia, Irã e Turquia estão cada vez mais interligados; e isso certamente influenciará os acontecimentos na Síria, Iraque e Líbia, e será um fator chave para facilitar a reeleição de Erdogan no próximo ano.

Do jeito que está, Riad, para todos os efeitos, conseguiu uma surpreendente manobra de 180 graus contra Washington via OPEP +. Isso pode significar, ainda que de forma distorcida, o início de um processo de unificação dos interesses árabes, guiado por Moscou.

Coisas mais estranhas aconteceram na história moderna. Agora parece ser a hora certa para o mundo árabe finalmente estar pronto para se juntar ao Quad que realmente importa: Rússia, Índia, China e Irã.

FONTE

https://french.presstv.ir/Detail/2022/11/16/692801/Russie-Inde-Chine-Iran-le-Quad-qui-compte-vraiment

Rússia diz que condições de negociação da Ucrânia não são realistas

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse nesta terça-feira (15) à margem da cúpula do G20 que as condições da Ucrânia para iniciar as negociações de paz não são realistas.

“Todos os problemas vêm do lado ucraniano, que rejeita categoricamente as negociações e apresenta alegações manifestamente não realistas”, disse Lavrov.

O ministro russo afirmou que expôs essa posição em sua reunião com o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro alemão Olaf Scholz.

Segundo Lavrov, “o processo de resolução está sendo travado pela Ucrânia”, país que a Rússia invadiu em 24 de fevereiro.

A Ucrânia exige a retirada das tropas russas de seu território e a restauração de sua integridade territorial, depois que Moscou reivindicou a anexação de quatro regiões ucranianas no final de setembro, além da península da Crimeia, que faz parte da Rússia desde 2014.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou após essas anexações que não vai negociar com o presidente russo, Vladimir Putin.

A contraofensiva militar permitiu à Ucrânia, com a ajuda de armas enviadas por ocidentais, reconquistar vários territórios perdidos, infligindo severas derrotas às tropas russas.

Lavrov reiterou sua acusação de que o Ocidente está travando uma “guerra híbrida” contra a Rússia usando a Ucrânia. Ele também reafirmou que Moscou foi forçada a lançar a ofensiva contra o país vizinho para defender e proteger as populações de língua russa.

FONTE: https://gauchazh.clicrbs.com.br/mundo/noticia/2022/11/russia-diz-que-condicoes-de-negociacao-da-ucrania-nao-sao-realistas-clai47sw5000y01g2cymac3si.html

China e Índia se distanciam de Putin no G-20 e Rússia volta a bombardear Kiev

A pressão internacional sobre a Rússia para o fim da guerra na Ucrânia aumentou nesta terça-feira, 15, com a posição da China e da Índia na cúpula do G-20, no mesmo momento que militares russos voltaram a bombardear diversas cidades ucranianas, incluindo Kiev. O bloco escreveu uma carta conjunta, que ainda precisa ser aprovada pelos líderes, em que repudia o uso ou ameaça de armas nucleares e aponta as consequências de conflito em questões como segurança alimentar.

Apesar das discordâncias internacionais em torno da guerra, as delegações do G-20, incluindo a Rússia, concordaram em publicar um comunicado final. O rascunho da carta reconhece as opiniões divergentes entre os países, destaca o “imenso sofrimento” causado pela guerra, que se arrasta há quase nove meses, e observa que a maioria dos países-membros condenam firmemente o conflito.

As delegações, que se reúnem em Bali, na Indonésia, incluíram no rascunho um apelo à renovação do pacto entre Moscou e Kiev para permitir a exportação de cereais ucranianos, com data para expirar em 19 de novembro. O pacto foi firmado em julho e permitiu a retirada de 20 milhões de toneladas de grãos que estavam bloqueados na Ucrânia pelo conflito. O bloqueio causou uma disparada de preços alimentícios em todo o mundo, incluindo em países do G-20, como a Turquia e a Argentina.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia e representante do país na cúpula, Serguei Lavrov, ouviu críticas da maioria dos chefes de Estado e assistiu as declarações do presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, que disse que este é o momento para o fim da guerra. O chanceler russo classificou as condições da Ucrânia para negociação como inadmissíveis e acusou haver uma guerra híbrida do Ocidente contra os russos.

As críticas contra a guerra também partiram de países próximos a Moscou, mas sem citações diretas à Rússia ou ao presidente russo Vladimir Putin, ausente no evento. Embora tenha criticado as sanções ocidentais contra a Rússia, o presidente da China, Xi Jinping, declarou oposição à politização e ao uso de alimentos e de energia como arma de guerra. “Nós nos opomos firmemente contra a politização, a instrumentalização e a transformação da energia e dos alimentos como arma de guerra”, declarou Xi.

A declaração de Xi Jinping foi uma manifestação clara do distanciamento que a China estabeleceu com a Rússia no decorrer da guerra, após o país não ter seguido a posição do Ocidente no início da guerra e manter as críticas.

Em contraposição, o presidente dos EUA, Joe Biden, defendeu um isolamento diplomático e comercial ainda maior da Rússia e foi endossado pelo discurso de Zelenski. A inflação e a desaceleração das economias, entretanto, pesam sobre os países que impuseram sanções à Rússia por iniciar o conflito, dificultando que outras medidas semelhantes tenham apoio. A aproximação do inverno no Hemisfério Norte também põe os países da Europa em xeque devido à necessidade de gás proveniente da Rússia.

Sediada na Indonésia, a cúpula do G-20 começou com o presidente indonésio Joko Widodo, que permaneceu neutro no conflito, fazendo um apelo por paz. “Temos que acabar com a guerra. Se a guerra não acabar, será difícil para o mundo avançar”, declarou.

Em um discurso por vídeo, Zelenski reiterou 10 condições para acabar com o conflito, que incluem a retirada completa das tropas russas e a restauração do controle ucraniano no território. Foi a primeira cúpula que Zelenski participou após a retomada da cidade de Kherson, a única capital regional que a Rússia havia controlado na Ucrânia até o momento. “A Ucrânia não deve ser oferecida para concluir compromissos com sua consciência, soberania, território e independência”, disse ele.

Rússia volta a atacar Kiev

Enquanto a Rússia se isola ainda mais no cenário diplomático, as tropas militares voltaram a realizar ataques aéreos em todas as regiões da Ucrânia. Os bombardeios acontecem dias depois dos russos se retirarem da cidade de Kherson e a Ucrânia retornar ao local. Segundo autoridades ucranianas, ataques em Kiev atingiram edifícios residenciais e pelo menos uma pessoa morreu, enquanto em outras cidades a infraestrutura de energia foi destruída.

A nova onda de bombardeios segue a estratégia de atacar a rede elétrica ucraniana, que a Rússia recorre desde outubro aparentemente para tornar o inverno uma arma de guerra ao dificultar o aquecimento das residências. As ofensivas acontecem com mísseis e drones de longo alcance, após contratempos no campo de batalha.

Os ataques foram relatados nas regiões de Lviv, Zhitomir e Rivne, no Oeste; e Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, no Nordeste. Segundo o prefeito de Krivi Rih, a cidade natal do presidente Zelenski, mísseis também atingiram o local.

Na semana passada, a Rússia afirmou que se retiraria de Kherson para ocupar posições de defesa mais fáceis na margem oposta do rio Dnieper. O anúncio foi seguido da volta das autoridades ucranianas à cidade, que estava tomada pelos russos desde o início de março e foi declarada anexada à Rússia em setembro, e representou uma das maiores derrotas de Moscou na guerra.

Aos líderes do G-20, Zelenski afirmou que não haveria trégua na campanha militar da Ucrânia para expulsar todas as tropas russas do país. “Não permitiremos que a Rússia espere, construa suas forças e, em seguida, inicie uma nova série de terror e desestabilização global”, disse. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

FONTE: https://gauchazh.clicrbs.com.br/mundo/noticia/2022/11/china-e-india-se-distanciam-de-putin-no-g-20-e-russia-volta-a-bombardear-kiev-claihsn83003m01g24jsiz5j4.html

A China diante das tempestades geopolíticas

Relato de um jornalista chinês sobre os rumos do gigante asiático após o 20º Congresso do PCCh. Após erradicar a pobreza extrema, país persegue a modernização socialista e busca nova diplomacia, baseada em cooperação e governança global.

Imagem: Hanna Barczyk

O 20º Congresso Nacional do Partido Comunista da China teve lugar em Pequim, entre os dias de 16 e 22 de outubro. O secretário-geral Xi Jinping apresentou, em nome do 19º Comitê Central do PCCh, o relatório ao Congresso. O relatório consistiu em um balanço integral dos trabalhos dos últimos cinco anos e das grandes transformações ocorridas na China durante a última década da nova era, bem como em um planejamento abrangente do futuro do país, retratando as perspectivas promissoras da grande revitalização da nação chinesa.

Nos últimos dias, o 20º Congresso Nacional do PCCh tem atraído a atenção da comunidade internacional. Dirigentes de vários países e responsáveis de várias organizações internacionais endereçaram mensagens e cartas de felicitações pela realização bem-sucedida do Congresso, nas quais foram avaliados como positivos os êxitos da China na última década e foi atestada a importância dos resultados do 20º Congresso Nacional do PCCh para o mundo. A imprensa acompanhou as reportagens do evento, visando descodificar o sucesso da China.

As grandes transformações demonstram a posição do povo

A palavra “povo” apareceu por 105 vezes no relatório. Seja o aumento do PIB de 54 trilhões para 114 trilhões de yuans, o aumento do PIB per capita de 39.800 para 81.000 de yuans, ou a vitória da maior batalha da história humana contra a pobreza e consequente triunfo contra a pobreza absoluta, ou a consolidação do maior sistema de Educação, Segurança Social e Saúde do mundo, o PCCh sempre aderiu à ideia do desenvolvimento centrado no povo, cumprindo consistentemente seu compromisso solene de “fazer com que as pessoas vivam com conforto”.

Nico Hansen, “assessor estrangeiro” da aldeia Zhadong, distrito Yizhou, cidade de Hechi, local conhecido como “terra natal de Sanjie (famosa cantora de folclore)”, compreende profundamente este fenômeno. A aldeia foi registrada como carenciada, com uma incidência de pobreza de 48,8% em 2016. Em 2018, Nico Hansen ali trabalhou como voluntário. Nestes cinco anos, colaborou com os moradores para encontrar uma forma de acabar com a pobreza e garantir uma vida moderadamente próspera na aldeia. Graças aos esforços de todos os envolvidos, a aldeia de Zhadong erradicou a pobreza em 2020. A população pobre de 314 pessoas, dispersa por 101 domicílios, atingiu o padrão das “duas promessas e três garantias”. A aldeia está agora totalmente mudada. Ao longo dos anos, Nico Hansen passou a compreender profundamente o significado de “servir o povo”, afirmando que os almejos da população local, em breve, se tornarão responsabilidades que os quadros do partido sempre terão em mente.

Uma nova escolha para a modernização

Olhando para o passado, após a fundação da República Popular da China, o PCCh liderou o povo na soma de esforços e trabalho coletivos rumo à meta da modernização. A China completou em décadas o processo de industrialização que os países desenvolvidos buscaram por centenas de anos, criando dois milagres de desenvolvimento econômico rápido e estabilidade social a longo prazo. Após a construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos, o processo de modernização da China está avançando em direção ao objetivo de concluir a construção integral de um grande país socialista moderno.

A prática bem-sucedida da modernização ao estilo chinês revela que a modernização não é uma patente reservada ao Ocidente, e que se pode alcançar um desenvolvimento acelerado se for adotado um caminho de modernização correspondente às realidades domésticas. Ao mesmo tempo, a prática e a experiência da modernização ao estilo chinês contribuíram, também, para a modernização humana, constituindo uma nova alternativa. Evandro Carvalho, especialista da Fundação Getúlio Vargas no Brasil, disse que a China inaugurou com sucesso um caminho de modernização ao estilo chinês, diferente do curso do desenvolvimento aplicado pelos países ocidentais ao longo da história. No futuro, enquanto grande país socialista moderno, a China permitirá à humanidade alcançar uma nova etapa na história.

Encarando o futuro, o relatório propôs uma visão macro sobre o planejamento estratégico de duas etapas rumo à conclusão da construção integral de um país socialista moderno, fez uma disposição importante das tarefas estratégicas e grandes iniciativas para os próximos cinco anos e deixou claros os importantes princípios que deverão ser firmemente seguidos no caminho adiante. A modernização ao estilo chinês é uma modernização socialista liderada pelo PCCh, dotada não apenas de atributos comuns da modernização de outros países, mas também de características chinesas, baseadas na realidade doméstica. Com base no próprio desenvolvimento, esta certamente servirá de referência útil e constituirá num horizonte mais amplo de desenvolvimento comum a todos os países.

Construir de mãos dadas a comunidade com futuro compartilhado para a humanidade

Aquele que tem o mundo em mente, em todo o mundo encontrará amigos. Nos últimos anos, a força construtiva que a China desempenha tem ganhado amplo reconhecimento da comunidade internacional. Desde o 18º Congresso Nacional do PCCh, a China tem promovido ativamente inovações ao nível da teoria e da prática diplomática; da defesa do conceito de governança global – caracterizada pela consulta extensiva, construção conjunta e benefícios para todos e à adesão à visão de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável; da participação construtiva na resolução política de questões internacionais e regionais candentes à apresentação da Iniciativa para o Desenvolvimento Global e a Iniciativa para a Segurança Global, a China sempre agiu como edificadora da paz mundial, contribuinte para o desenvolvimento global, defensora da ordem internacional e provedora de bens públicos, contribuindo com sua sabedoria e abordagens para a resolução das grandes questões globais e promoção do avanço do desenvolvimento da humanidade.

Tal como afirmou a presidente do Partido Comunista do Brasil, Luciana Santos, o 20º Congresso Nacional do PCCh é um evento importante e a China criará novas oportunidades de desenvolvimento para outros países. Neste novo ponto de partida histórico, a China, enquanto prossegue com seu próprio desenvolvimento, continuará a trabalhar com outros países para fomentar os valores comuns da humanidade como a paz, desenvolvimento, equidade, justiça, democracia e liberdade, construir a comunidade com futuro compartilhado para a humanidade e criar, de mãos dadas, um mundo melhor.

O 20º Congresso Nacional do PCCh apontou a direção do desenvolvimento da China e injetou um forte vigor na amizade e cooperação entre a China e os outros países. O PCCh criou com grande dedicação uma grande causa centenária, e criará, com redobrados esforços, uma nova grande causa.

FONTE: https://outraspalavras.net/geopoliticaeguerra/a-china-diante-das-tempestades-geopoliticas/

China exibe aos EUA míssil hipersônico ‘matador de porta-aviões’

Mostra ocorre antes de encontro Xi-Biden no G20 e durante exercícios militares de aliados no Japão

De uniforme, Xi Jinping visita centro da Comissão Militar Central, órgão que controla as Forças Armadas – Li Gang – 8.nov.22/Xinhua

Pequim apresentou um míssil hipersônico “matador de porta-aviões” e um drone de ataque com capacidade intercontinental em seu principal evento aeroespacial, o Airshow China, em Zhuhai, cidade costeira no sul chinês.

Mais do que procurar clientes estrangeiros para os produtos, o que o governo comunista busca é lembrar os Estados Unidos que está se preparando para um eventual embate com seu maior rival estratégico, particularmente em torno da autonomia da ilha de Taiwan.

A exibição militar ocorre pouco antes do encontro do G20, grupo das economias mais desenvolvidas do mundo, em Bali, na Indonésia, no dia 15. Há grande expectativa de que o americano Joe Biden se encontre com o chinês Xi Jiping, que acaba de assegurar um inédito terceiro mandato.

Além da Guerra da Ucrânia, na qual Xi pode influenciar o aliado Vladimir Putin a negociar, o cardápio de tal encontro incluiria a distensão nas relações —algo que dependerá da disposição do Congresso americano após os republicanos não conquistarem a vitória esmagadora prevista nas eleições de meio de mandato.

Além disso, a feira ocorre ao mesmo tempo em que EUA, Japão, Índia e Austrália, os integrantes do grupo anti-China Quad, fazem exercícios navais na costa japonesa. O Malabar-2022 é a 26ª edição de uma manobra que começou com Índia e EUA e agora se expandiu.

A tensão entre Pequim e Washington atingiu um dos maiores níveis da história neste ano, quando a presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, visitou Taiwan, a ilha autônoma que a China considera sua.

Foi a mais alta autoridade americana a visitar Taipé em 25 anos, um reconhecimento do governo local na forma e no conteúdo —Pelosi passou perto de defender a independência da ilha, o que iria contrariar a política oficial dos EUA, que é ambígua: aceita a China como país único, mas apoia militarmente os taiwaneses, inclusive prometendo ajuda em caso de invasão.

Desde que a Guerra Fria 2.0 foi lançada pelos EUA contra a China em 2017, visando conter a assertividade crescente do regime liderado por Xi, Taiwan se tornou ponto focal do embate. As incursões aéreas contra a ilha se tornaram semanais, quando não diárias, e tiveram um ponto máximo depois da visita de Pelosi.

Na terça, um Xi camuflado visitou a toda-poderosa Comissão Militar Central, que preside, e orientou outra vez as Forças Armadas a se prepararem para guerras futuras. Aí entram as armas chinesas. A principal foi o 2PZD-21, uma versão de exportação do YJ-21, testado pela primeira vez em abril, mas que não havia sido exibido de forma estática.

Trata-se de um míssil hipersônico balístico, lançado de bombardeiros H-6K, semelhante ao russo Kinjal, que já foi usado na Ucrânia. Mas é um modelo maior, e não se sabe se tem capacidade nuclear como seu primo de Moscou.

Especialistas colocam em 2.000 km o alcance da arma, o que ameaça quaisquer grupos de porta-aviões que se aproxime da China. Com velocidade máxima estimada em 12 vezes a do som, o míssil é de difícil interceptação.

Se suas características forem as propagandeadas, é ainda mais eficaz do que a atual geração de mísseis “matadores de porta-aviões”, supersônica. Em um eventual conflito em torno de Taiwan, seriam armas de primeiro uso contra uma eventual armada americana.

O entorno marítimo é a preocupação estratégica número 1 da China, pois sua força industrial e econômica depende da entrada e da saída de bens por rotas que podem ser bloqueadas a distância por uma Marinha capaz, como a americana.

Há vários tipos de armas hipersônicas, consideradas parte da guerra do futuro. Russos estão à frente na corrida, com dois modelos operacionais, e a China avançou com um polêmico teste no ano passado. Os EUA estão algo atrás, buscando acelerar programas.

Outro equipamento exibido pela primeira vez foi o mais recente drone de ataque chinês, o Wing Loong-3. É um avião-robô com capacidade de voar por até 10 mil km, o que lhe dá alcance intercontinental que Pequim antes não tinha.

É um aparelho grande, com 12 metros de comprimento e 24 metros de envergadura, o que lhe dá capacidade presumida para carregar até 16 mísseis e bombas. Novamente, uma arma para ser usada no ambiente do Pacífico Ocidental, hoje uma província estratégica da Marinha americana.

No show aéreo também foram mostradas estrelas do setor na China, como os caças furtivos J-20 e o cargueiro quadrimotor Y-20. Foram anunciadas ainda “centenas” de encomendas domésticas para o primeiro avião comercial de grande porte do país, o Comac C919, que concorre na faixa do Boeing 737 e do Airbus A320.

FONTE: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2022/11/china-exibe-aos-eua-missil-hipersonico-matador-de-porta-avioes.shtml

“EUA vão interferir no Brasil no governo Lula, utilizando frações do próprio PT para fazer o trabalho”, diz Andrew Korybko

“A guerra híbrida dos EUA contra o Brasil vai se desenvolver de novas formas”, disse Andrew Korybko, autor do livro “Guerras híbridas – das revoluções coloridas aos golpes”

Sputnik – EUA têm boa vontade com Lula, mesmo após fomentarem campanha para retirar o PT do poder em 2016. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o autor do livro “Guerras híbridas – das revoluções coloridas aos golpes”, Andrew Korybko, alerta que os EUA vão interferir no Brasil no governo Lula 3, utilizando frações do próprio PT para fazer o trabalho.

O apoio entusiasmado do presidente norte-americano, Joe Biden, à eleição de Luiz Inácio Lula da Silva levantou dúvidas sobre como serão as relações Brasil-EUA no governo Lula 3.

 Somente um dia após a eleição de Lula, o petista realizou o que o ex-chanceler de Lula, Celso Amorim, classificou de “uma bela conversa” com Biden, na qual foram debatidos temas como “combate às mudanças climáticas, salvaguarda da segurança alimentar, promoção da inclusão e democracia e gestão da migração regional”, conforme informou a Casa Branca.

Em entrevista ao jornal Globo, o ex-embaixador dos EUA em Brasília Thomas Shannon disse que Lula será útil à Washington por fazer uma “ponte entre a velha e a nova esquerda”. A “nova esquerda” parece ser mais palatável a Shannon, uma vez que, segundo ele, ela “não é antiamericana e está centrada em questões internas”.

A boa vontade norte-americana com a esquerda brasileira contrasta com a já documentada participação de Washington na crise política que levou ao impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

Para o autor do livro “Guerras híbridas – das revoluções coloridas aos golpes”, Andrew Korybko, a intervenção norte-americana no Brasil não deve cessar sob o governo Lula 3, mas sim mudar de configuração.

“A guerra híbrida dos EUA contra o Brasil vai se desenvolver de novas formas”, disse Korybko à Sputnik Brasil. “A fração liberal-globalista do Partido dos Trabalhadores, mais ligada ao Partido Democrata dos EUA, consiste na maior ameaça neste momento.”

 Segundo ele, as correntes petistas associadas ao Partido Democrata são “ideologicamente motivadas a perseguir objetivos que contradizem o seu programa original soberanista e socialista”.

“Nesse caso, os EUA nem precisariam intervir diretamente, uma vez que essa fração do partido é capaz de fazer descarrilhar a agenda do partido por si própria […] mesmo que não esteja plenamente consciente disso”, acredita o analista norte-americano.

Guerra híbrida

Korybko ganhou os holofotes ao detalhar a estratégia norte-americana de guerra híbrida em casos emblemáticos, como os da Síria e Ucrânia.

“Guerra híbrida consiste na manipulação de um país-alvo para coagir a sua liderança a ceder em seus interesses objetivos e alinhá-los às demandas do Estado agressor”, explicou Korybko. “Os casos mais dramáticos do nosso século são os promovidos contra a Rússia, Ucrânia, Síria e Irã.”

As guerras híbridas são aplicadas para derrubar governos inconvenientes para Washington, ou mesmo promover o próprio desmembramento do Estado, como no caso da Síria. Os instrumentos preferenciais das guerras híbridas são o uso de protestos de rua para promover as chamadas “revoluções coloridas”, a guerra informacional e sanções econômicas.

Além disso, as operações de guerra híbrida buscam explorar divisões existentes dentro das sociedades, como desigualdade social, diferenças religiosas e de valores, para enfraquecer o Estado-alvo. Ao empunhar bandeiras como o combate à corrupção, as operações de guerra híbrida buscam minar a confiança dos cidadãos em suas próprias instituições políticas.

Guerra híbrida no Brasil

O trabalho de Korybko teve ressonância significativa no Brasil, onde analistas perceberam que táticas similares às adotadas na Ucrânia e na Síria foram aplicadas durante a grave crise política que assolou o país a partir de 2013.

 “Eu acredito que a razão pela qual o meu trabalho é tão popular no Brasil é porque fornece uma estrutura referencial para compreender a intervenção norte-americana no país durante a última década”, disse Korybko. “Fico muito honrado de saber que tantos brasileiros foram receptivos ao meu trabalho.”

Passados alguns anos, a participação norte-americana na Operação Lava-Jato e no financiamento de grupos que organizavam as chamadas “jornadas de junho de 2013” já está amplamente documentada e é de conhecimento público.

“Não há dúvidas de que [o impeachment de Dilma] foi o resultado de uma guerra híbrida conduzida pelos EUA contra o Brasil”, declarou Korybko. “A transformação de escândalos de corrupção em arma de guerra foi obra da interferência das agências de inteligência dos EUA na política interna brasileira.”

O analista acredita que o objetivo de Washington era “tornar esse gigante sul-americano em um Estado vassalo, cujos recursos pudessem ser impiedosamente explorados em prol da preservação da hegemonia norte-americana”.

 Apesar de a democracia brasileira aparentemente ter sobrevivido, os danos gerados pela guerra híbrida no Brasil são de longo prazo: a polarização política, os danos econômicos gerados pelo desmantelamento do setor de construção civil, a intervenção dos EUA em estatais como Petrobras e Embraer são só alguns exemplos das consequências nefastas à sociedade brasileira.

“Todos os Estados devem educar seus cidadãos sobre os instrumentos básicos da guerra híbrida, para que eles possam ter consciência de como interações aparentemente inocentes em redes sociais e em processos como a globalização podem ser explorados por atores externos para desestabilizar as suas sociedades”, alerta Korybko.

No entanto, o analista lembra que as pessoas não devem julgar todos os protestos de rua como resultado de manipulação externa, tampouco “se sentir pressionadas a evadir seu direito de protestar ou de comercializar com o exterior”.

“Idealmente, a população atingirá um nível de ‘alfabetização em guerra híbrida’, que as ajudará a evitar serem exploradas como “idiotas úteis”, mas ao mesmo tempo se sentirem confortáveis para exercer seus direitos”, concluiu o autor.

O livro “Guerras híbridas – das revoluções coloridas aos golpes” do especialista em Relações Internacionais de nacionalidade norte-americana, mas residente em Moscou, Andrew Korybko, foi publicado no Brasil pela editora Expressão Popular.

FONTE: https://www.brasil247.com/mundo/eua-vao-interferir-no-brasil-no-governo-lula-utilizando-fracoes-do-proprio-pt-para-fazer-o-trabalho-diz-andrew-korybko

A nova crise dos mísseis cubanos que não é

A Crise dos Mísseis Cubanos é um equívoco malicioso. Cuba nunca teve mísseis nucleares; hospedou temporariamente alguns soviéticos. A crise começou quando os americanos plantaram seus mísseis nucleares de alcance intermediário na Turquia, representando uma nova ameaça para a União Soviética, que respondeu plantando mísseis semelhantes em Cuba, empatando o placar. Os americanos ficaram furiosos, mas acabaram se acalmando e retiraram seus mísseis da Turquia. Os soviéticos retiraram seus mísseis de Cuba e a crise acabou. E por isso deveria ser chamado de Crise dos Mísseis Americanos.

O que está acontecendo agora não poderia ser mais diferente. A menos que você tenha passado as últimas semanas escondido debaixo de uma rocha, você provavelmente já ouviu falar que algum tipo de nova crise nuclear está se formando devido à “chantagem nuclear de Putin” ou algo assim. Algumas pessoas sofreram de exaustão nervosa como resultado, negligenciando seus deveres e geralmente se deixando levar. Tomemos como exemplo a ex-primeira-ministra britânica Liz Truss. “O pobre tolo” se apegou às palavras de Putin de que “a rosa dos ventos pode apontar em qualquer direção” (um ponto factual sobre a total futilidade das armas nucleares táticas). Ele então permitiu que a economia britânica entrasse em queda livre enquanto seguia obsessivamente a direção do vento sobre a Ucrânia. Tudo terminou mal para a pobre Liz. Não seja como Liz.

Estou aqui para lhes dizer que não há nada acontecendo além do habitual, ou seja, da farsa habitual da propaganda ocidental.

Em particular, isso não tem nada a ver com Putin ou qualquer coisa nuclear. Em vez disso, tudo isso faz parte de uma tentativa desesperada de compensar o fracasso narrativo, e uma tentativa fracassada disso. El problema para el Occidente colectivo es simplemente este: el 80% de la población mundial se ha negado a unirse a él para condenar, sancionar o castigar a Rusia, con algunos países muy grandes (China, India) que la apoyan o son neutrales en o tema.

A maior parte do mundo, incluindo Ásia, Oriente Médio, África e América Latina, está observando atentamente enquanto a Rússia destrói sistematicamente o que era de longe o maior e mais capaz exército equipado e comandado pela OTAN no mundo (ou seja, o exército ucraniano). , entendendo plenamente que o que está se formando é Waterloo de Washington. Alguns países (Arábia Saudita, por exemplo) estão tão seguros do resultado que já se recusam a obedecer aos ditames de Washington. Isso é um problema, porque todo o “saber fazer” dos Washingtonians é impor sua vontade ao mundo. Tratar os outros como iguais ou procurar oportunidades para negociar uma situação ganha-ganha simplesmente não faz parte de sua competência principal, nem é nenhuma de suas competências. Uma vez que suas presas são removidas, tudo o que eles sabem fazer é latir e babar.

Para resolver este problema, os contadores de histórias em Washington e Bruxelas decidiram jogar a cartada nuclear e acusar a Rússia de chantagem nuclear. Enquanto isso, tudo o que a Rússia fez foi dizimar os militares ucranianos várias vezes, depois aceitar quatro ex-regiões ucranianas na Federação Russa com base em referendos locais altamente conclusivos, observados de perto por um bom número de observadores internacionais, e depois anunciar que defenderá esses regiões contra ataques estrangeiros por qualquer meio necessário. Isso obviamente inclui meios nucleares, já que a Rússia os possui e os usaria de acordo com sua doutrina nuclear, que exclui seu primeiro uso.

Enquanto isso, os EUA não têm tal disposição em sua doutrina nuclear, na verdade usaram armas nucleares contra civis (no Japão) e sonham há décadas em desenvolver uma capacidade nuclear de primeiro ataque que não pode ser combatida. Se algum país deve ser julgado como uma ameaça nuclear, são os EUA, não a Rússia… exceto, como explicarei, os EUA também não são mais uma grande ameaça nuclear. Putin mal insinuou isso, mas uma mera insinuação foi suficiente para enfurecer completamente o establishment de defesa nacional dos EUA, cujo pior inimigo é a própria realidade. Putin destacou que no momento a Rússia tem algumas armas em seu arsenal de dissuasão nuclear que são superiores às do Ocidente.

Essas novas armas, sobre as quais falaremos mais adiante, garantem que qualquer ataque nuclear contra a Rússia seria um movimento suicida. Ou seja, o Ocidente não tem como destruir a Rússia de forma confiável (é muito grande e seu núcleo econômico é muito independente e muito bem defendido com sistemas de defesa aérea e espacial), enquanto a Rússia pode destruir de forma confiável o Ocidente (que não é tão bem defendido) mas isso não acontecerá a menos que o Ocidente ataque primeiro. Ao contrário dos velhos tempos soviéticos, a Rússia não tem zelo missionário; ele fica feliz em sentar e assistir o Ocidente morrer de fome (por causa da falta de fertilizantes químicos russos) no escuro (por causa da falta de petróleo e gás russos). Tudo o que ele quer fazer é juntar os pedaços do mundo russo despedaçado e todas as pessoas e terras que o colapso da URSS deixou para trás de alguma fronteira decretada pelos bolcheviques. Nesta situação, o risco de uma guerra nuclear é praticamente zero. Por favor, sente-se, respire fundo algumas vezes e deixe as boas notícias tomarem conta de você. Sinta a alegria.

Mas a alegria provavelmente não vai durar se você ouvir os idiotas covardes cujo trabalho é mentir para você sobre a “ameaça nuclear de Putin”. Quando, por exemplo, Jack Philips escreve que Moscou ameaçou usar… armas nucleares táticas… na Ucrânia para salvar sua guerra lá”, ele está essencialmente mentindo para nós, e não uma, mas três vezes na mesma frase: a Rússia não ameaçou usar táticas de armas nucleares, mas em vez disso apontou sua futilidade; e a operação especial russa é um sucesso. O fato de não haver ameaça é a mensagem principal deste artigo, mas vamos fazer uma breve digressão e descrever como é a vitória ucraniana e a derrota russa.

A Ucrânia sai vitoriosa porque, segundo o FMI, seu PIB caiu 35% em 2022; segundo seu banco nacional, a inflação ultrapassou 30% e não está desacelerando; de acordo com o Banco Mundial, no próximo ano 55% dos ucranianos estarão abaixo da linha da pobreza, sobrevivendo com menos de US$ 2,15 por dia; segundo o ministro da Economia ucraniano, o desemprego atingiu 30%; de acordo com seu primeiro-ministro, ele não poderá pagar pensões e salários sem ajuda externa imediata; segundo a ONU, 20% da população deixou o país e outros 33% estão deslocados internamente; segundo seu ministério de energia, já perdeu 40% de sua capacidade de geração de energia. O exército ucraniano está recrutando qualquer homem de até 60 anos, pois está sem reservistas, e as baixas que está sofrendo no front são horríveis.

Enquanto isso, a Rússia é derrotada porque, segundo a Reuters, o rublo russo é a moeda mais forte do mundo; de acordo com o The Guardian, Putin está mais poderoso e popular do que nunca; de acordo com seu ministério da agricultura, a colheita de grãos deste ano é superior a 150 milhões de toneladas, das quais 50 milhões são para exportação, tornando a Rússia o maior exportador de grãos do mundo; de acordo com The Economist, a Rússia está saindo da recessão exatamente quando o Ocidente está entrando em recessão; e de acordo com Goldman Sachs, a taxa de atividade econômica na Rússia é agora mais alta do que no Ocidente. A Rússia acaba de convocar 300.000, ou 1%, de seus reservistas treinados e experientes, que agora estão sendo treinados nas mais recentes técnicas de combate da OTAN antes de serem enviados para a frente ucraniana.

Pero no dejemos que los hechos se interpongan en el camino de la narrativa dominante: Ucrania tiene que estar ganando y Rusia tiene que estar perdiendo porque, de lo contrario, ¿qué podría causar que Rusia esté tan completamente desesperada como para amenazar al mundo con sus armas nucleares? Essa parte é simples; o que é menos óbvio é por que os propagandistas ocidentais estão desesperados o suficiente para inventar e promulgar a falsa narrativa da “chantagem nuclear de Putin”?

A razão para toda essa propaganda frenética é que o Ocidente coletivo não pode esperar sobreviver política ou economicamente a menos que a Rússia se ajoelhe e concorde em negociar seus recursos energéticos e minerais com dígitos recém-cunhados que residem dentro de computadores em bancos centrais ocidentais. ser confiscado (para a Rússia. Nota do tradutor) a qualquer momento e por qualquer motivo. A situação é terrível: os EUA estão esgotando sua Reserva Estratégica de Petróleo em um ritmo vertiginoso, mas enfrentando uma escassez de diesel e preços da gasolina teimosamente altos. Tem uma dívida enorme para refinanciar e expandir, mas só pode fazê-lo através da impressão direta de dinheiro, alimentando cada vez mais a inflação, que já está acima de 10%. A Europa está se preparando para um inverno rigoroso de contas de energia ridiculamente altas, fechamento de indústrias e desemprego em massa, enquanto os EUA não estão muito atrás. A bonança do fracking nos EUA nunca foi totalmente lucrativa e agora pode ter um ano ou dois antes de secar. Assim, o sonho de o gás natural liquefeito dos EUA substituir o gás de gasoduto russo na Europa, nunca um plano realista, estará morto para sempre à medida que as paralisações da indústria se espalharem para os EUA.

Para evitar esse cenário, medidas desesperadas foram aplicadas e todas falharam. Primeiro, houve o plano de sanções infernais, forçando várias empresas ocidentais a parar de enviar produtos para a Rússia e fazer negócios lá. Isso prejudicou muito as empresas ocidentais, ao mesmo tempo em que deu à Rússia uma oportunidade de roubar participação de mercado. O que não poderia ser substituído pela produção nacional foi substituído por “importações paralelas” através de países terceiros.

Em seguida, o Ocidente (a Europa em particular) reduziu suas importações de energia russa através de uma série de meios, desde sanções contra navios-tanque russos até a proibição do uso da capacidade existente de gasodutos através da Ucrânia e da Polônia, a ataques terroristas. o Báltico. Uma proibição completa das importações de petróleo russo para a União Europeia está prevista para dezembro e, sem surpresa, piorará a situação. O resultado é que a Rússia começou a enviar petróleo e gás para seus parceiros na Ásia, particularmente a China, e o Ocidente agora é bem-vindo para competir por essa energia no mercado spot, enquanto durarem os estoques. Eles não vão. Devido aos preços mais altos, a Rússia exporta menos energia, mas ganha mais renda externa.

E assim foi elaborado um plano engenhoso para uma provocação nuclear na Ucrânia. Os ucranianos, com alguma ajuda americana e britânica, deveriam pegar um antigo míssil balístico da era soviética (um Tochka-U), carregá-lo com lixo nuclear de uma das usinas nucleares da Ucrânia e explodi-lo em algum lugar na zona de exclusão de Chernobyl. (que já está contaminado com radionuclídeos de longa duração) e então a mídia ocidental e as fontes diplomáticas ficariam histéricas e culpariam a Rússia por tudo em uníssono, esperando que pelo menos alguns dos países do mundo que se recusaram a aderir às sanções ocidentais contra A Rússia seria persuadida a se juntar a eles.

Quão bem você foi? Não está certo, aparentemente! Primeiro, a inteligência russa obteve os detalhes de toda a operação de uma fonte interna, ou duas ou três. Isso não é surpreendente, pois nenhum engenheiro nuclear que se preze ficaria muito empolgado em assumir a responsabilidade por tal caricatura. Em segundo lugar, o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, sob ordens diretas de Putin, fez telefonemas para seus colegas em todo o mundo, compartilhando essas evidências com eles. Terceiro, a Rússia solicitou especificamente que a Organização Internacional de Energia Atômica investigasse os dois locais ucranianos onde a paródia estava sendo planejada. O resultado final é que os ucranianos estão agora destruindo às pressas as evidências e cobrindo seus rastros. Considerando que cada grama dessas substâncias altamente controladas deve ser inventariada e todos os seus movimentos registrados, esse encobrimento pode envolver alguns incidentes, acidentes e circunstâncias de força maior. Um pequeno acidente desagradável envolvendo uma xícara de chá com lixo nuclear e um foguete não pode ser descartado, e a Rússia é a culpada, é claro.

Enquanto isso, no mundo real dos confrontos das superpotências nucleares, ocorreram dois eventos interessantes. Na quinta-feira, 20 de outubro de 2022, o submarino nuclear dos EUA West Virginia, um submarino da classe Ohio carregando 24 mísseis balísticos Trident II, cada um carregando 10 cargas nucleares, emergiu no Mar da Arábia e foi visitado por Michael Kurilla, comandante dos Estados Unidos. Comando Central. Imagino que ela alinhou a tripulação no convés, ficou na frente deles com um vestido branco azul marinho, depois baixou as calças e fez uma pequena rotina de “leite, leite, limonada, na esquina eles fazem doce”. de leite”… porque bem pode haver. O objetivo de um submarino nuclear é ser furtivo porque os sistemas de defesa aérea russos podem interceptar mísseis Trident II especialmente bem se souberem de onde estão vindo. Assim, o ato de emergir e desfilar no convés essencialmente anuncia ao mundo que o submarino está fora de serviço por enquanto.

Por que os americanos fariam isso? Isso é um gesto de paz desajeitado, um ato enigmático de rendição ou um pedido velado de ajuda? Ou estão todos ficando senis porque o que quer que Biden tenha é infeccioso? É difícil para nós dizer. Seja o que for, os russos não parecem afetados. O submarino nuclear russo Belgorod navegou recentemente para o azul, causando um pouco de pânico dentro da OTAN. Ele carrega vários dos novos drones torpedos movidos a energia nuclear Poseidon, que somam aproximadamente 100. Cada um carrega uma carga útil de 100 megatons. Os Poseidons têm alcance quase infinito, movem-se a cerca de 100 km/h até uma profundidade de 1.000 m (três vezes mais profunda do que qualquer submarino nuclear) e, quando detonados perto de uma cordilheira costeira submarina, podem causar um tsunami de 100 metros. Apenas cinco deles são suficientes para demolir ambas as costas dos EUA e todo o norte da Europa. Seriam testes nucleares submarinos realizados em águas internacionais: anti-sociais, sim, mas não exatamente ataques nucleares diretos ao território de ninguém, portanto dificilmente um casus belli. E o tsunami subsequente? oi! Oopsie-margarida, me desculpe! Ninguém vai escrever “em caso de tsunami destruir a Rússia” na doutrina nuclear dos EUA.O melhor de tudo, os Poseidons podem esperar anos, aparecendo periodicamente para novas instruções. Mas se a Rússia for destruída, eles ativarão e destruirão o resto do mundo, porque “De que serve o mundo sem a Rússia?” (V.Putin)

Podemos ter certeza de que os russos não lançarão uma guerra nuclear porque é arriscado e eles não precisam correr esse risco para vencer. Podemos ter certeza de que os americanos não lançarão um porque seria suicídio. E assim todos podemos sentar e relaxar enquanto os narradores da “chantagem nuclear de Putin” latem. Quanto a todas aquelas putas da mídia que estão assustando as pessoas com suas bobagens nucleares para conseguir alguma publicidade, que vergonha!

FONTE: http://sakerlatam.org/la-nueva-crisis-de-los-misiles-cubanos-que-no-es/

Olaf Scholz encontra Xi Jinping apesar das pressões do Ocidente

O chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, foi recebido pelo presidente da China, Xi Jinping, nesta sexta-feira (4) no Grande Salão do Povo, em Pequim. Apesar das pressões do Ocidente contra a viagem, o chanceler alemão foi ao encontro do mandatário chinês poucos dias após o 20º Congresso do Partido Comunista da China reafirmar a liderança de Xi.

Após o encontro Xi afirmou que a China está confiante de que a visita do chanceler alemão fortalecerá a compreensão mútua e a confiança entre os países e ajudará a aprofundar a cooperação em várias áreas, conforme informou a CCTV.

“Você é o primeiro líder europeu a visitar a China desde o 20º Congresso do Partido Comunista da China, e esta também é sua primeira visita à China desde que assumiu o cargo. Estou confiante de que a visita fortalecerá o entendimento mútuo e a confiança mútua entre os dois países, aprofundará a cooperação prática em vários campos e também traçará planos para o desenvolvimento das relações entre a China e a Alemanha”, disse Xi Jinping.

Scholz é o primeiro líder do G7 a visitar a China desde o início da pandemia de COVID-19 e sofreu fortes pressões do Ocidente em razão da postura que tem adotado de manter o diálogo com a China. Na véspera do encontro, o chanceler alemão fez questão de reforçar a política de Uma Só China, diante das tensões em Taiwan.

Sun Keqin, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais Contemporâneas da China, disse ao Global Times que a visita de Scholz a Pequim representa um “freio” à movimentação de extremo de confronto da Europa com o país asiático.

Após o encontro Xi enfatizou que a China e a Alemanha, diante da instabilidade e do caos internacional, devem trabalhar juntas para fazer maiores contribuições para a paz e o desenvolvimento mundial.

“Atualmente, a situação internacional é complexa e volátil. Como potências poderosas, China e Alemanha, em condições de instabilidade e caos, devem trabalhar juntas para dar uma maior contribuição à paz e ao desenvolvimento em todo o mundo”, afirmou Xi.

FONTE: https://sputniknewsbrasil.com.br/20221104/olaf-scholz-encontra-xi-jinping-apesar-de-pressoes-do-ocidente–25744204.html

A posição da Alemanha na Nova Ordem Mundial da América

por Michael Hudson para o blog Saker

A Alemanha tornou-se um satélite econômico da Nova Guerra Fria dos Estados Unidos com a Rússia, a China e o resto da Eurásia. A Alemanha e outros países da OTAN foram instruídos a impor sanções comerciais e de investimento a si mesmos que durarão mais que a guerra por procuração de hoje na Ucrânia. O presidente dos EUA, Biden, e seus porta-vozes do Departamento de Estado explicaram que a Ucrânia é apenas a arena de abertura de uma dinâmica muito mais ampla que está dividindo o mundo em dois conjuntos opostos de alianças econômicas. Essa fratura global promete ser uma luta de dez ou vinte anos para determinar se a economia mundial será uma economia dolarizada unipolar centrada nos EUA, ou um mundo multipolar e multimoeda centrado no coração da Eurásia com economias públicas/privadas mistas.

O presidente Biden caracterizou essa divisão como sendo entre democracias e autocracias. A terminologia é o típico duplo discurso orwelliano. Por “democracias” ele se refere aos EUA e às oligarquias financeiras ocidentais aliadas. Seu objetivo é transferir o planejamento econômico das mãos dos governos eleitos para Wall Street e outros centros financeiros sob o controle dos EUA. Diplomatas dos EUA usam o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial para exigir a privatização da infraestrutura mundial e a dependência de tecnologia, petróleo e exportações de alimentos dos EUA.

Por “autocracia”, Biden quer dizer países que resistem a essa financeirização e privatização. Na prática, a retórica dos EUA significa promover seu próprio crescimento econômico e padrões de vida, mantendo as finanças e os bancos como serviços públicos. O que basicamente está em questão é se as economias serão planejadas pelos centros bancários para criar riqueza financeira – privatizando infraestrutura básica, serviços públicos e serviços sociais como assistência médica em monopólios – ou elevando os padrões de vida e a prosperidade mantendo a criação de bancos e dinheiro, saúde pública, educação, transporte e comunicações em mãos públicas.

O país que sofre o maior “dano colateral” nessa fratura global é a Alemanha. Como a economia industrial mais avançada da Europa, aço, produtos químicos, máquinas, automóveis e outros bens de consumo alemães são os mais dependentes das importações de gás, petróleo e metais russos, de alumínio a titânio e paládio. No entanto, apesar de dois oleodutos Nord Stream construídos para fornecer energia de baixo preço à Alemanha, a Alemanha foi instruída a se desligar do gás russo e desindustrializar. Isso significa o fim de sua preeminência econômica. A chave para o crescimento do PIB na Alemanha, como em outros países, é o consumo de energia por trabalhador.

Essas sanções anti-russas tornam a Nova Guerra Fria de hoje inerentemente anti-alemã. O secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, disse que a Alemanha deve substituir o gás de gasoduto russo de baixo preço pelo gás GNL dos EUA de alto preço. Para importar esse gás, a Alemanha terá que gastar mais de US$ 5 bilhões rapidamente para construir capacidade portuária para lidar com navios-tanque de GNL. O efeito será tornar a indústria alemã não competitiva. As falências se espalharão, o emprego diminuirá e os líderes pró-OTAN da Alemanha imporão uma depressão crônica e queda nos padrões de vida.

A maior parte da teoria política assume que as nações agirão em seu próprio interesse. Caso contrário, são países satélites, que não controlam seu próprio destino. A Alemanha está subordinando sua indústria e padrões de vida aos ditames da diplomacia dos EUA e ao interesse próprio do setor de petróleo e gás dos Estados Unidos. Está fazendo isso voluntariamente – não por causa da força militar, mas por uma crença ideológica de que a economia mundial deveria ser administrada pelos planejadores da Guerra Fria dos EUA.

Às vezes é mais fácil entender a dinâmica de hoje afastando-se de sua própria situação imediata para olhar para exemplos históricos do tipo de diplomacia política que se vê dividindo o mundo de hoje. O paralelo mais próximo que posso encontrar é a luta da Europa medieval pelo papado romano contra os reis alemães – os Sacro Imperadores Romanos – no século 13. Esse conflito dividiu a Europa em linhas muito parecidas com as de hoje. Uma série de papas excomungou Frederico II e outros reis alemães e mobilizou aliados para lutar contra a Alemanha e seu controle do sul da Itália e da Sicília.

O antagonismo ocidental contra o Oriente foi incitado pelas Cruzadas (1095-1291), assim como a Guerra Fria de hoje é uma cruzada contra as economias que ameaçam o domínio dos EUA no mundo. A guerra medieval contra a Alemanha acabou sobre quem deveria controlar a Europa cristã: o papado, com os papas se tornando imperadores mundanos, ou governantes seculares de reinos individuais, reivindicando o poder de legitimá-los moralmente e aceitá-los.

O análogo da Europa medieval à Nova Guerra Fria da América contra a China e a Rússia foi o Grande Cisma em 1054. Exigindo o controle unipolar sobre a cristandade, Leão IX excomungou a Igreja Ortodoxa centrada em Constantinopla e toda a população cristã que pertencia a ela. Um único bispado, Roma, separou-se de todo o mundo cristão da época, incluindo os antigos Patriarcados de Alexandria, Antioquia, Constantinopla e Jerusalém.

Essa ruptura criou um problema político para a diplomacia romana: como manter todos os reinos da Europa Ocidental sob seu controle e reivindicar o direito de subsídio financeiro deles. Esse objetivo exigia subordinar os reis seculares à autoridade religiosa papal. Em 1074, Gregório VII, Hildebrando, anunciou 27 ditados papais delineando a estratégia administrativa de Roma para manter seu poder sobre a Europa.

Essas demandas papais são surpreendentemente paralelas à diplomacia dos EUA de hoje. Em ambos os casos, os interesses militares e mundanos exigem uma sublimação na forma de um espírito de cruzada ideológica para cimentar o sentimento de solidariedade que qualquer sistema de dominação imperial exige. A lógica é atemporal e universal.

Os ditados papais eram radicais de duas maneiras principais. Em primeiro lugar, eles elevaram o bispo de Roma acima de todos os outros bispados, criando o papado moderno. A cláusula 3 determinava que somente o papa tinha o poder de investidura para nomear bispos ou depô-los ou restabelecê-los. Reforçando isso, a Cláusula 25 deu o direito de nomear (ou depor) bispos ao papa, não aos governantes locais. E a Cláusula 12 deu ao papa o direito de depor imperadores, seguindo a Cláusula 9, obrigando “todos os príncipes a beijar apenas os pés do Papa” para serem considerados governantes legítimos.

Da mesma forma hoje, diplomatas dos EUA reivindicam o direito de nomear quem deve ser reconhecido como chefe de estado de uma nação. Em 1953, eles derrubaram o líder eleito do Irã e o substituíram pela ditadura militar do xá. Esse princípio dá aos diplomatas dos EUA o direito de patrocinar “revoluções coloridas” para a mudança de regime, como o patrocínio de ditaduras militares latino-americanas criando oligarquias clientes para servir aos interesses corporativos e financeiros dos EUA. O golpe de 2014 na Ucrânia é apenas o mais recente exercício desse direito dos EUA de nomear e depor líderes.

Mais recentemente, diplomatas dos EUA nomearam Juan Guaidó como chefe de Estado da Venezuela, em vez de seu presidente eleito, e entregaram as reservas de ouro daquele país para ele. O presidente Biden insistiu que a Rússia deve remover Putin e colocar um governo mais pró-EUA. líder em seu lugar. Esse “direito” de selecionar chefes de estado tem sido uma constante na política dos EUA ao longo de sua longa história de intromissão política nos assuntos políticos europeus desde a Segunda Guerra Mundial.

A segunda característica radical dos ditados papais foi sua exclusão de toda ideologia e política que divergisse da autoridade papal. A cláusula 2 afirmava que apenas o Papa poderia ser chamado de “Universal”. Qualquer desacordo era, por definição, herético. A cláusula 17 declarava que nenhum capítulo ou livro poderia ser considerado canônico sem a autoridade papal.

Uma demanda semelhante à que está sendo feita pela ideologia de hoje, patrocinada pelos EUA, de “mercados livres” financeirizados e privatizados, significando desregulamentação do poder do governo para moldar economias em interesses diferentes daqueles das elites financeiras e corporativas centradas nos EUA.

A demanda por universalidade na Nova Guerra Fria de hoje está envolta na linguagem da “democracia”. Mas a definição de democracia na Nova Guerra Fria de hoje é simplesmente “pró-EUA”, e especificamente a privatização neoliberal como a nova religião econômica patrocinada pelos EUA. Essa ética é considerada “ciência”, como no quase Nobel de Ciências Econômicas. Esse é o eufemismo moderno para a economia neoliberal da escola de Chicago, programas de austeridade do FMI e favoritismo fiscal para os ricos.

Os ditames papais definiram uma estratégia para bloquear o controle unipolar sobre os reinos seculares. Eles afirmavam a precedência papal sobre os reis mundanos, sobretudo sobre os imperadores do Sacro Império Romano-Germânico. A cláusula 26 deu aos papas autoridade para excomungar quem “não estivesse em paz com a Igreja Romana”. Esse princípio implicava a conclusão da Cláusula 27, permitindo que o papa “absolvesse os súditos de sua fidelidade a homens iníquos”. Isso encorajou a versão medieval de “revoluções coloridas” para provocar mudanças de regime.

O que uniu os países nessa solidariedade foi um antagonismo às sociedades não sujeitas ao controle papal centralizado – os infiéis muçulmanos que detinham Jerusalém, e também os cátaros franceses e qualquer outro considerado herege. Acima de tudo, havia hostilidade em relação às regiões forte o suficiente para resistir às exigências papais de tributo financeiro.

A contrapartida de hoje para tal poder ideológico de excomungar hereges que resistem às exigências de obediência e tributo seria a Organização Mundial do Comércio, Banco Mundial e FMI ditando práticas econômicas e estabelecendo “condicionalidades” para todos os governos membros seguirem, sob pena de sanções dos EUA – a versão moderna de excomunhão de países que não aceitam a suserania dos EUA. A cláusula 19 do Dictates determinou que o papa não poderia ser julgado por ninguém – assim como hoje, os Estados Unidos se recusam a submeter suas ações às decisões da Corte Mundial. Da mesma forma hoje, espera-se que os ditames dos EUA via OTAN e outras armas (como o FMI e o Banco Mundial) sejam seguidos pelos satélites dos EUA sem dúvida. Como Margaret Thatcher disse sobre sua privatização neoliberal que destruiu o setor público da Grã-Bretanha, There Is No Alternative (TINA).

Meu ponto é enfatizar a analogia com as sanções atuais dos EUA contra todos os países que não seguem suas próprias demandas diplomáticas. As sanções comerciais são uma forma de excomunhão. Eles revertem o princípio do Tratado de Vestfália de 1648, que tornou cada país e seus governantes independentes da intromissão estrangeira. O presidente Biden caracteriza a interferência dos EUA como garantia de sua nova antítese entre “democracia” e “autocracia”. Por democracia, ele quer dizer uma oligarquia cliente sob o controle dos EUA, criando riqueza financeira reduzindo os padrões de vida do trabalho, em oposição a economias públicas/privadas mistas que visam promover padrões de vida e solidariedade social.

Como mencionei, ao excomungar a Igreja Ortodoxa centrada em Constantinopla e sua população cristã, o Grande Cisma criou a fatídica linha divisória religiosa que dividiu “o Ocidente” do Oriente no último milênio. Essa divisão foi tão importante que Vladimir Putin a citou como parte de seu discurso de 30 de setembro de 2022 descrevendo a ruptura de hoje com as economias ocidentais centradas nos EUA e na OTAN.

Os séculos XII e XIII viram conquistadores normandos da Inglaterra, França e outros países, juntamente com reis alemães, protestarem repetidamente, serem excomungados repetidamente, mas finalmente sucumbirem às exigências papais. Demorou até o século 16 para que Martinho Lutero, Zwinglio e Henrique VIII finalmente criassem uma alternativa protestante a Roma, tornando o cristianismo ocidental multipolar.

Por que demorou tanto? A resposta é que as Cruzadas forneceram uma gravidade ideológica organizadora. Essa foi a analogia medieval com a Nova Guerra Fria de hoje entre o Oriente e o Ocidente. As Cruzadas criaram um foco espiritual de “reforma moral” ao mobilizar o ódio contra “o outro” – o Oriente muçulmano, e cada vez mais judeus e cristãos europeus dissidentes do controle romano. Essa foi a analogia medieval com as doutrinas neoliberais de “livre mercado” de hoje da oligarquia financeira americana e sua hostilidade à China, Rússia e outras nações que não seguem essa ideologia. Na Nova Guerra Fria de hoje, a ideologia neoliberal do Ocidente está mobilizando o medo e o ódio ao “outro”, demonizando nações que seguem um caminho independente como “regimes autocráticos”. O racismo total é fomentado contra povos inteiros, como é evidente na Russofobia e na Cultura do Cancelamento que atualmente varre o Ocidente.

Assim como a transição multipolar do cristianismo ocidental exigiu a alternativa protestante do século XVI, a ruptura do coração da Eurásia com o Ocidente da OTAN, centrado nos bancos, deve ser consolidado por uma ideologia alternativa sobre como organizar economias públicas/privadas mistas e sua infraestrutura financeira.

As igrejas medievais no Ocidente foram drenadas de suas esmolas e doações para contribuir com o Pence de Pedro e outros subsídios ao papado para as guerras que travava contra os governantes que resistiam às exigências papais. A Inglaterra desempenhou o papel de grande vítima que a Alemanha desempenha hoje. Enormes impostos ingleses foram cobrados ostensivamente para financiar as Cruzadas foram desviadas para lutar contra Frederico II, Conrado e Manfredo na Sicília. Esse desvio foi financiado por banqueiros papais do norte da Itália (lombardos e cahorsins), e se tornaram dívidas reais transmitidas por toda a economia. Os barões da Inglaterra travaram uma guerra civil contra Henrique II na década de 1260, encerrando sua cumplicidade em sacrificar a economia às demandas papais.

O que acabou com o poder do papado sobre outros países foi o fim de sua guerra contra o Oriente. Quando os cruzados perderam Acre, a capital de Jerusalém em 1291, o papado perdeu o controle sobre a cristandade. Não havia mais “mal” para combater, e o “bem” havia perdido seu centro de gravidade e coerência. Em 1307, o francês Filipe IV (“o Belo”) apoderou-se da grande riqueza da ordem bancária militar da Igreja, a dos Templários no Templo de Paris. Outros governantes também nacionalizaram os Templários, e os sistemas monetários foram tirados das mãos da Igreja. Sem um inimigo comum definido e mobilizado por Roma, o papado perdeu seu poder ideológico unipolar sobre a Europa Ocidental.

O equivalente moderno à rejeição dos Templários e das finanças papais seria que os países se retirassem da Nova Guerra Fria dos Estados Unidos. Eles rejeitariam o padrão dólar e o sistema bancário e financeiro dos EUA. isso está acontecendo à medida que mais e mais países veem a Rússia e a China não como adversários, mas como grandes oportunidades para vantagens econômicas mútuas.

A promessa quebrada de ganho mútuo entre a Alemanha e a Rússia

A dissolução da União Soviética em 1991 prometia o fim da Guerra Fria. O Pacto de Varsóvia foi dissolvido, a Alemanha foi reunificada e diplomatas americanos prometeram o fim da OTAN, porque uma ameaça militar soviética não existia mais. Os líderes russos se entregaram à esperança de que, como o presidente Putin expressou, uma nova economia pan-europeia seria criada de Lisboa a Vladivostok. Esperava-se que a Alemanha, em particular, assumisse a liderança no investimento na Rússia e na reestruturação de sua indústria em linhas mais eficientes. A Rússia pagaria por essa transferência de tecnologia fornecendo gás e petróleo, juntamente com níquel, alumínio, titânio e paládio.

Não havia previsão de que a OTAN seria expandida para ameaçar uma Nova Guerra Fria, muito menos que apoiaria a Ucrânia, reconhecida como a cleptocracia mais corrupta da Europa, a ser liderada por partidos extremistas que se identificam pela insígnia nazista alemã.

Como explicamos por que o potencial aparentemente lógico de ganho mútuo entre a Europa Ocidental e as antigas economias soviéticas se transformou em um patrocínio de cleptocracias oligárquicas? A destruição do gasoduto Nord Stream resume a dinâmica em poucas palavras. Por quase uma década, uma demanda constante dos EUA tem sido para que a Alemanha rejeite sua dependência da energia russa. Essas demandas foram contestadas por Gerhardt Schroeder, Angela Merkel e líderes empresariais alemães. Eles apontaram para a lógica econômica óbvia do comércio mútuo de manufaturas alemãs por matérias-primas russas.

O problema dos EUA era como impedir a Alemanha de aprovar o gasoduto Nord Stream 2. Victoria Nuland, o presidente Biden e outros diplomatas dos EUA demonstraram que a maneira de fazer isso era incitar o ódio à Rússia. A Nova Guerra Fria foi enquadrada como uma nova Cruzada. Foi assim que George W. Bush descreveu o ataque dos Estados Unidos ao Iraque para tomar seus poços de petróleo. O golpe de 2014 patrocinado pelos EUA criou um regime fantoche ucraniano que passou oito anos bombardeando as províncias orientais de língua russa. A OTAN incitou assim uma resposta militar russa. A incitação foi bem-sucedida, e a resposta russa desejada foi devidamente rotulada de atrocidade não provocada. Sua proteção de civis foi retratada na mídia patrocinada pela OTAN como sendo tão ofensiva que merece as sanções comerciais e de investimento que foram impostas desde fevereiro. Isso é o que significa uma Cruzada.

O resultado é que o mundo está se dividindo em dois campos: a OTAN centrada nos EUA e a emergente coalizão eurasiana. Um subproduto dessa dinâmica foi deixar a Alemanha incapaz de seguir a política econômica de relações comerciais e de investimento mutuamente vantajosas com a Rússia (e talvez também com a China). O chanceler alemão Olaf Sholz vai à China esta semana para exigir que desmantele o setor público e pare de subsidiar sua economia, ou então a Alemanha e a Europa imporão sanções ao comércio com a China. Não há como a China atender a essa demanda ridícula, assim como os Estados Unidos ou qualquer outra economia industrial não deixariam de subsidiar seu próprio chip de computador e outros setores-chave.[1] O Conselho Alemão de Relações Exteriores é um braço neoliberal “libertário” da OTAN exigindo a desindustrialização alemã e a dependência dos Estados Unidos para seu comércio, excluindo China, Rússia e seus aliados. Este promete ser o último prego no caixão econômico da Alemanha.

Outro subproduto da Nova Guerra Fria da América foi acabar com qualquer plano internacional para conter o aquecimento global. Uma pedra angular da diplomacia econômica dos EUA é que suas empresas petrolíferas e as de seus aliados da OTAN controlem o suprimento mundial de petróleo e gás – ou seja, reduzam a dependência de combustíveis baseados em carbono. É disso que se trata a guerra da OTAN no Iraque, Líbia, Síria, Afeganistão e Ucrânia. Não é tão abstrato quanto “Democracias versus Autocracias”. Trata-se da capacidade dos EUA de prejudicar outros países, interrompendo seu acesso à energia e outras necessidades básicas.

Sem a narrativa do “bem contra o mal” da Nova Guerra Fria, as sanções dos EUA perderão sua razão de ser neste ataque dos EUA à proteção ambiental e ao comércio mútuo entre a Europa Ocidental, Rússia e China. Esse é o contexto para a luta de hoje na Ucrânia, que deve ser apenas o primeiro passo na luta antecipada de 20 anos dos EUA para impedir que o mundo se torne multipolar. Esse processo deixará a Alemanha e a Europa dependentes do fornecimento de GNL dos EUA.

O truque é tentar convencer a Alemanha de que depende dos Estados Unidos para sua segurança militar. O que a Alemanha realmente precisa de proteção é a guerra dos EUA contra a China e a Rússia, que está marginalizando e “ucrainizando” a Europa.

Não houve apelos dos governos ocidentais para um fim negociado para esta guerra, porque nenhuma guerra foi declarada na Ucrânia. Os Estados Unidos não declaram guerra em nenhum lugar, porque isso exigiria uma declaração do Congresso sob a Constituição dos EUA. Assim, os exércitos dos EUA e da OTAN bombardeiam, organizam revoluções coloridas, se intrometem na política doméstica (tornando obsoletos os acordos de Vestefália de 1648) e impõem as sanções que estão separando a Alemanha e seus vizinhos europeus.

Como as negociações podem “terminar” uma guerra que não tem declaração de guerra e é uma estratégia de longo prazo de dominação mundial unipolar total?

A resposta é que nenhum fim pode vir até que uma alternativa ao atual conjunto de instituições internacionais centradas nos EUA seja substituída. Isso requer a criação de novas instituições que reflitam uma alternativa à visão neoliberal centrada nos bancos de que as economias devem ser privatizadas com planejamento centralizado pelos centros financeiros. Rosa Luxemburgo caracterizou a escolha entre o socialismo e a barbárie. Esbocei a dinâmica política de uma alternativa em meu livro recente, The Destiny of Civilization.

Este artigo foi apresentado em 1º de novembro de 2022. no site alemão
https://braveneweurope.com/michael-hudson-germanys-position-in-americas-new-world-order. Um vídeo da minha palestra estará disponível no YouTube em cerca de dez dias.

Veja Guntram Wolff, “Sholz deve enviar uma mensagem explícita em sua visita a Pequim”, Financial Times, 31 de outubro de 2022. Wolff é o diretor e CE do Conselho Alemão de Relações Exteriores. ↑

FONTE: https://thesaker.is/germanys-position-in-americas-new-world-order/

Alysson Mascaro: vitória de Lula é apenas o começo da luta

O jornalista Leonardo Attuch entrevista o professor Alysson Mascaro sobre a conjuntura política

0:00 Boas vindas
5:00 Há no Brasil uma base popular clamando por autoritarismo
8:00 Depois de dois dias de sumiço, o mandatário se pronunciou. Falou em favor da direita e demonizou a esquerda. Marcou ideologicamente sua posição à direita. Falta uma contraposição da esquerda. O discurso é de conciliação. A esquerda se nega e a direita se afirma
15:00 Lula jamais poderia ter sido preso e Bolsonaro dificilmente será preso porque mobiliza
18:00 PT não tem horizontes de discordância com o capitalismo. Busca administrar o capitalismo. O PT tem discordâncias com os efeitos do neoliberalismo
21:00 O chave para mudar o Brasil é ampliar a consciência sobre o golpe de 2016. É fundamental fazer uma política de comunicação de massas para ter os aparelhos ideológicos
30:00 É a ideologia que faz as pessoas penderem para um lado ou para o outro. Viver só da picanha e da cerveja é muito pouco. A luta ideológica perpassa pela cultura, pela educação e pela comunicação. Mas esses ministérios não podem ser capturados pelo capital
38:00 Precisamos de um horizonte de País
51:00 Esquerda ainda não tomou a decisão de mobilizar a nossa gente